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Recomece do zero, mas sempre parta de algum lugar

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Recentemente as redes sociais ficaram lotadas com o tal Desafio dos 10 anos , em que pessoas publicaram fotos suas de 2009 (10 anos atrás, caso você esteja lendo esse post em 2019) e fotos atuais.

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Recentemente as redes sociais ficaram lotadas com o tal Desafio dos 10 anos , em que pessoas publicaram fotos suas de 2009 (10 anos atrás, caso você esteja lendo esse post em 2019) e fotos atuais.

Mais do que as mudanças físicas, representadas pelo Desafio, gostaria de aproveitar esse momento para celebrar os exatos 10 anos do início da minha jornada empreendedora, representada através de uma postagem aqui no Saia do Lugar, que me dá muito orgulho de estar no ar até hoje ( link para o post original ).

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Direto do túnel do tempo…

Nesse período, tive a enorme felicidade de acumular muitas experiências positivas, incluindo conhecer algumas “celebridades” do mundo empreendedor, como por exemplo:

  • Guy Kawasaki – Citado no post do início da jornada, Guy trabalhou diretamente com Steve Jobs nos anos 90 e sem dúvida teve um papel muito grande na popularização do computador pessoal
  • Eric Ries – Criador da metodologia Lean Startup, que vem ajudando muita gente a tirar suas ideias do papel
  • Alexander Osterwalder – Criador do Business Model Canvas, ferramenta que revolucionou a maneira de se planejar um negócio
  • Chad Hurley – Co-fundador e ex-diretor executivo do Youtube e ex-colega de Elon Musk no PayPal
  • Jorge Paulo Lemann – Fundador do 3G capital, dono de empresas como Ambev, Burger King e KraftHeinz
  • Darth Vader – Na verdade ele não tem nada a ver com empreendedorismo, mas fuçando o acervo de imagens, achei essa foto muito maneira!

Além deles, tive uma honra imensa de conhecer e trabalhar com tanta gente boa que daria um artigo inteiro só para agradecer o impacto que essas pessoas tiveram em toda a trajetória. Entre eles, um destaque enorme ao Luiz Piovesana e Mauro Ribeiro, que foram excelentes companheiros nesse caminho.

Então chega o momento em que você se pergunta: Tá bom Millor, e daí?

Ok. Pergunta extremamente válida.

Por isso, já te adianto que toda essa experiência me leva ao primeiro de uma série de aprendizados que tive nesses 10 anos e que espero que sejam úteis para você de alguma maneira:

Aprendizado 1: Seja um ímã de gente boa

Muito além do famoso “networking” (geralmente resumido a trocar cartão de visitas ou chamar as pessoas para tomar um cafezinho), construir relações de confiança com gente que possui objetivos similares aos seus é algo extremamente valioso.

Apesar das características dos empreendedores serem as mais diversas possíveis, um dos poucos padrões que é possível identificar em pessoas de sucesso é a capacidade que elas têm de formar uma rede de gente boa, alinhada com os mesmos objetivos.

Um ponto extremamente importante nessa linha é entender que, para colher valor, você primeiro precisa plantar valor. Isso vale para clientes, fornecedores, formação de time, parceiros, mentores, etc.

De nada adianta conhecer muita gente se você é conhecido como aquele mala que só se aproxima para pedir alguma coisa. Por mais que isso possa gerar resultados de curto prazo, vale a pena lembrar que estamos falando de longo prazo (no caso específico, 10 anos).

Exceto nos casos das fotos em eventos, em que não tive muito tempo de trocar ideia com a pessoa e realmente fui tiete, uma preocupação que sempre tive foi a de acrescentar algo para que a pessoa se interessasse em falar comigo.

Seja compartilhando insights, passando uma informação de mercado ou fazendo uma ponte com outra pessoa bacana, pensar em formas de contribuir para a sua rede é essencial para de fato construir relações sólidas.

Para se aprofundar no tema, recomendo bastante conferir a teoria que fala sobre os perfis Giver, Taker ou Matcher .

Aprendizado 2: Tenha claro o que você deseja

Ainda na questão da rede de contatos, um erro muito comum é das pessoas que querem fazer networking a qualquer custo, sem entenderem o objetivo daquilo. Isso faz com que a pessoa pareça despreparada e, querendo ou não, acaba afetando sua credibilidade.

Porém, esse ponto não vale apenas para conhecer pessoas, ele vale para tudo!

Um dos principais motivos para as pessoas não alcançarem seus objetivos é o fato de nem terem uma definição clara sobre eles.

Se você não tem claro o que deseja, como saberá se está ou não no caminho certo?

Nessa área, uma coisa que me marcou muito foi a importância de ter metas claras e definir, previamente, qual o critério que dirá se cheguei lá ou não.

Uma analogia que gosto de usar é a do GPS: se você não colocar o endereço de destino, dificilmente ele te levará a algum lugar.

Caso real:

Em um exercício recente com um amigo que pediu um apoio na definição de metas, ele comentou que gostaria de fazer exercícios físicos 3 vezes por semana.

Perguntei:

– Tá bom. Mas como você vai medir a evolução disso com o tempo? Se em uma semana você for 2 vezes e na outra for 4, na média terá ido 3 vezes por semana. Isso te deixará feliz?

Eis que então ele respondeu:

– Não. Meu objetivo é criar disciplina. Então se eu puder compensar uma semana ruim com uma boa, isso vai me dar um conforto de poder empurrar com a barriga.

Viu só como o objetivo a ser alcançado faz uma baita diferença na maneira de medir se ele estava progredindo ou não?

No caso dele, acabamos definindo a meta em: 47 semanas em que fez exercícios 3 ou mais vezes (o ano tem 52 semanas, então 47 representa aproximadamente 90% disso, uma meta bastante agressiva).

E você, quantas vezes definiu uma meta de forma superficial, sem pensar com profundidade sobre como medir se ela representa progresso ou não?

Se quiser, é só deixar nos comentários uma meta que você quer atingir e faremos um exercício similar, para entender se elas representam o objetivo que você deseja.

Aprendizado 3: Poucas coisas estão escritas em pedra

Uma outra coisa interessante do empreendedorismo (e da vida em geral!) é que muitas vezes as respostas podem ser contraditórias entre si.

Acabei de falar sobre a importância de ter objetivos claros, daí logo em seguida falo que tudo pode mudar?

Pois é! É o que tem pra hoje!

Por mais que eu seja um grande fã do planejamento, tenho uma certeza absoluta sobre ele: todo planejamento está errado!

Na prática, algo mais importante do que o planejamento em si, é o exercício de tentar entender quais são os principais fatores que influenciam o resultado que você quer atingir.

Porém, vale reforçar que existem diferentes níveis de planejamento.

Em um nível mais macro e abstrato, ter uma missão consistente faz toda a diferença para garantir que você esteja seguindo rumo a um objetivo maior.

No nível mais micro, do dia-a-dia, ser flexível e mudar de direção é uma habilidade mais do que necessária para qualquer um que queira se destacar.

Voltando ao caso do meu amigo que quer ganhar o hábito do exercício, vale reforçar que a meta é de fazer exercícios, não necessariamente musculação, corrida, natação, crossfit, etc.

Essa flexibilidade é essencial para permitir que você encontre as melhores soluções para o problema.

Alguns métodos tradicionais de planejamento e gestão de projetos partem da premissa que você tem que definir absolutamente tudo de antemão e não há muito espaço para mexer nesse plano uma vez que ele começou a ser executado.

Para uma usina hidrelétrica ou outros projetos mais complexos, em que o custo de um erro é muito alto, essa forma de pensar faz sentido. Porém, para grande parte dos nossos objetivos, o custo de remediar um erro é muito menor do que o tempo necessário para prever absolutamente todas as variáveis.

Além disso, querer prever todas as variáveis assume que não aprenderemos nada no processo, o que é uma forma extremamente limitada de pensar.

Por isso, muito mais do que um plano totalmente detalhado e rígido, ter clareza no objetivo e flexibilidade na execução é uma excelente forma de ter progresso.

Aprendizado 4: Existe uma diferença entre persistência e insistência

Outro ponto bem importante que essa reflexão sobre planejamento nos traz é: qual a diferença entre persistência e insistência?

Uma visão que gosto bastante sobre o tema é a do Derek Sivers, através do vídeo If it’s not a hit, switch (se alguém achar uma versão legendada, agradeço!).

Nesse vídeo, ele fala sobre músicos que tentam repetidamente emplacar a mesma música.

Ao invés dessa abordagem, ele recomenda que você faça outras músicas, para que finalmente, em algum momento, alguma delas vire um grande sucesso.

Ou seja, colocar toda sua energia em uma única música é um sinal claro de insistência. Porém, seguir seu sonho de ser músico e continuar testando novas músicas, isso é persistência.

Aprendizado 5: Sucessos do dia pra noite levam anos para acontecer

Existe 2 características que praticamente todos nós temos quando somos mais novos: impaciência e negação das estatísticas.

Por não conhecermos muito bem como as coisas funcionam, é muito comum acharmos que somos muito melhores do que a média. Porém, um detalhe importante é que, na maioria das coisas, tem muito mais gente perto da média do que longe dela.

Ou seja, por mais que veja inúmeras pessoas falando que empreender é difícil, que nem todo mundo aguenta o estresse das incertezas, etc. você sempre pensa “Ah, mas comigo vai ser diferente!”.

Bom, pelo menos eu pensava. Mas é aí que eu te digo: não foi diferente, foi igualzinho a tudo que eu via os empreendedores mais experientes falando.

Por mais genial, criativo e esforçado que você seja, o mundo é extremamente competitivo e te demanda tempo até que você se desenvolva e esteja pronto para encará-lo de frente.

Tendo acompanhado de perto o início da jornada de diversas empresas que hoje são referência no mercado (Rock Content, Resultados Digitais, ContaAzul, Templum, Superlógica, etc.), uma coisa ficou clara: esses caras não acertaram de primeira.

A jornada deles teve, ao invés de sorte e genialidade pura, MUITO trabalho, persistência e tempo para que os frutos desse trabalho pudessem ser colhidos.

Porém (com P maiúsculo) isso não quer dizer de maneira alguma que você possa se dar ao direito de esperar.

Se você pensa “Ah, se começar isso hoje, vai levar 10 anos para dar resultado” e decide deixar para começar amanhã, a matemática é simples: ao invés de 10 anos, levará 10 anos e um dia.

Ou seja, paciência é essencial, mas ter pressa para dar o primeiro passo fará um diferença enorme.

Aprendizado 6: Gestão de energia é mais importante do que gestão de tempo

Um tema muito recorrente no mundo dos negócios em geral é: como gerenciar meu tempo para fazer mais com menos?

A partir dessa ideia, uma coisa que fica cada vez mais clara é que o importante não é gerenciar o tempo, é gerenciar a sua energia .

É só para pra pensar: quantas vezes você já teve um compromisso cancelado/adiado (teoricamente “ganhando” tempo) e, na hora H, acabou enrolando, não produziu nada de útil e ficou com a consciência pesada depois?

Quem nunca?!?

Pois é, esse exemplo reforça que por mais que o tempo seja uma variável relevante, não é a principal.

Nessa linha de gestão de energia, pense no seu cérebro como um celular que você carrega uma vez por dia, ao dormir.

Se você não tiver muito claro o objetivo dele (ex.: usar o GPS para te ajudar a fazer uma viagem), é muito fácil gastar a bateria dele com algo que não é tão relevante assim (ex.: ficar navegando em redes sociais).

Quantas vezes você chegou no fim do dia e, apesar de ter passado o dia inteiro na correria, fazendo um milhão de coisas, sua cabeça estava esgotada, com um sentimento de que o dia foi perdido?

Repito: quem nunca?!?

Por isso, precisamos voltar algumas etapas e pensar: o que de fato é relevante para mim?

Muito mais do que ter uma grande quantidade de tarefas e projetos entregues, aprender a gerenciar sua energia para onde realmente importa, se livrando das distrações, é uma característica que vai te levar muito mais longe.

Aprendizado 7: Aprender a assumir a responsabilidade

Mais do que qualquer habilidade técnica ou de estilo de trabalho, a característica que vejo que mais diferencia quem fica só no sonho de quem transforma esses sonhos em realidade é o nível de responsabilidade.

Caso real:

Em um curso que fiz em 2008 nos EUA, tive um professor que desenhou um quadro inteiro com características que as pessoas associavam a empreendedores de sucesso.

Nos últimos 20 minutos de aula, ele apagou absolutamente todas e só deixou uma palavra no quadro: unstoppable.

Sendo algo similar a “imparável”, essa palavra ficou martelando minha cabeça por muitos anos. Apesar de ser marcante, ela não é clara o suficiente.

Como vimos anteriormente, você pode ser unstoppable e insistir em uma ideia ruim, que não vai dar em nada.

Por isso, mais do que unstoppable, há uma palavra que acredito que resuma melhor esse espírito: responsabilidade.

No período em que trabalhei na Fundação Estudar, esse tema vinha constantemente à tona: será que essa pessoa é capaz de assumir a responsabilidade pelo próprio destino ou ela gosta de colocar a culpa nos outros?

De forma geral, seja durante processos seletivos ou nas avaliações de desempenho, essa era a característica mais marcante que indicava se aquela pessoa alcançaria seus objetivos ou não.

Para quem quiser se aprofundar nesse tema, recomendo demais o livro Pega a Visão , de Rick Chesther, que ficou conhecido como o vendedor de água que virou palestrante em Harvard .

Mais do que qualquer conteúdo motivacional que eu já tenha estudado, as ideias do Rick são simplesmente um “tapa na cara” para toda vez que você pensar em botar a culpar nos outros ao invés de assumir a responsabilidade sobre seu próprio destino.

Conclusão: As perguntas são mais importantes do que as respostas

Como você deve ter reparado, não existe nem nunca existirá uma resposta única que funcione para todo mundo.

Além de não existirem respostas únicas, ainda digo mais: algumas vezes, existem múltiplas respostas certas.

Ainda vou além! Tem vezes em que a resposta correta passou a ser errada e vice-versa.

Ou seja, é uma zona!

Por isso, mais do que o foco em acertar a resposta, recomendo fortemente que você dê muitos passos atrás e foque em uma das perguntas mais primordiais, que nos separam dos outros animais: Por quê?

Pensando constantemente no porquê, você dá um jeito com o “o que” e o “como”.

Caso real:

Seguindo um exercício do livro A Tríade do Tempo , do Christian Barbosa (belíssima leitura, diga-se de passagem), decidi há muitos anos escrever a minha missão pessoal:

Através da difusão de técnicas, conhecimento e inspiração, mostrar para as pessoas que elas podem sonhar maior e encurtar a distância até esses objetivos

Por: Eu mesmo

Uma coisa que me dá muita felicidade é reler essa frase e ver que sigo perseguindo esse objetivo já há muito tempo. Sem dúvidas, todos os projetos que estive envolvido tiveram alguma relação com essa missão.

Só que um grande detalhe é que, ao mesmo tempo que segui na direção dessa estrela guia, o caminho “aqui na terra” mudou muito.

Vendi um “filho” (o Saia do Lugar, que felizmente hoje está em ótimas mãos), participei da organização do maior evento de gestão da América Latina, fui executivo de uma ONG e fundei uma consultoria, além de diversas outras empreitadas diferente s.

Felizmente, essa diversidade de projetos me ajudou na reflexão que dá nome a esse artigo: recomeçar do zero faz parte, é algo natural da vida, mas ter consistência na sua missão é essencial para se atingir alguma coisa relevante.

Fica então a reflexão: se você precisar recomeçar do zero, de onde você vai partir?

Abraços,

Millor Machado (recomeçando, mas partindo de algum lugar)

P.S.: Se de alguma maneira essa história sobre meu passado te interessou, está mais do que convidado(a) para acompanhar quais serão os próximos passos na nova empresa que estou lançando, a Idea2Growth .

Além de ser uma fonte de conteúdo sobre produtividade para empreendedores, lançaremos uma plataforma em que você poderá definir suas metas e acompanhar se seus projetos estão trazendo o resultado desejado. Ou seja, transformando suas ideias em crescimento 😀

Se você acha que esse conceito também pode te ajudar na sua jornada empreendedora, saiba mais aqui .