foto da paola carossella

Paola Carosella: conheça a história da chef mais famosa e talentosa do Brasil

Descubra como a cozinheira mais admirada da atualidade superou uma infância difícil, uma dívida de dois milhões de reais, duas sociedades ruins e se tornou referência para vários empreendedores.

Quem liga a TV na Band às terças-feiras para acompanhar ao Masterchef Brasil e se depara com uma empresária confiante e super profissional, certamente nem imagina os percalços que Paola Carosella enfrentou para se tornar uma das maiores chefs do país.

Muito antes de ocupar o posto de jurada do reality culinário e dona de dois restaurantes de sucesso, o Arturito e o La Guapa, a cozinheira (como prefere ser chamada) enfrentou várias dificuldades ao longo de sua vida profissional. Entre elas, a falta de experiência, uma dívida milionária e duas sociedades desfeitas.

Hoje, Paola é referência para vários empreendedores, pois sua história mostra como é possível criar suas próprias oportunidades e recomeçar do zero, mesmo quando tudo que você planejou para o seu negócio dá errado.

Quer conhecer mais sobre essa trajetória? Nesse post vamos contar a história empreendedora de Paola Carosella e algumas lições que você pode aprender com ela.

Empreendedorismo começa em casa

O primeiro contato de Paola com o empreendedorismo veio quando a cozinheira ainda era muito jovem, apenas uma criança. Sua mãe, então com 20 anos de idade, decidiu estudar direito e passou a administrar uma rotina pesada, dividida entre os estudos à noite e dois empregos de meio período durante o dia.

Filha de pais separados, Paola foi criada por babás até os 12 anos, quando passou a se cuidar sozinha. E assim passava os dias no apartamento que dividia com a mãe em Buenos Aires, capital da Argentina e sua cidade natal.

Apaixonou-se pela cozinha assistindo a avó italiana, que visitava nas férias e fins de semana, e aprendeu a cozinhar tentando copiar as receitas de um programa de TV. Então, todas as noites em que ficava só, preparava o jantar para aguardar sua mãe chegar da faculdade.

O esforço de dona Irma trouxe coisas boas para a filha, como uma boa condição financeira, autonomia e, principalmente, um exemplo de determinação.

Mas também ensinou Paola que é preciso equilíbrio entre o profissional e o pessoal, já que ela acabou crescendo muito sozinha e sua mãe se tornou uma pessoa triste, que vivia pela carreira.

Claro que construir uma carreira de sucesso exige sacrifícios, uma hora ou outra todos nós precisamos fazer escolhas difíceis.

Mas é preciso cuidado para não sacrificar sua felicidade e das pessoas que o cercam em prol de um objetivo, e essa é uma lição que cabe à qualquer um que queira empreender.

Carreira pode ter diferentes significados

Quando Paola decidiu que seria cozinheira, aos 18 anos, não existia um curso de gastronomia que ela pudesse fazer. Nem mesmo se falava em chef de cozinha como profissão, pois não era uma carreira que existia na Buenos Aires de 1992.

Para aprender seu ofício, a jovem precisou pagar para entrar em uma cozinha profissional. Seu primeiro emprego lhe custava a quantia de 100 dólares por mês e não tinha nada de glamouroso — ela era apenas uma estagiária.

Mas era uma vaga em um dos sete únicos restaurantes que existiam em Buenos Aires na época, e Paola agarrou a oportunidade com todas as forças e aprendeu tudo o que pôde.

Isso não quer dizer que você precisa pagar para adquirir experiência profissional e se submeter à situações exploratórias — afinal, tratava-se de outra época, em outra realidade. Mas o exemplo de Paola mostra que carreira não é uma coisa clara e linear, muito menos igual para todos.

Se você não se encaixa nas carreiras tradicionais, a carreira que você quer seguir ainda nem existe ou não tem um passo a passo claro, arrisque-se! Corra atrás das oportunidades e crie seu próprio caminho.

Nem tudo é pessoal

Aos 23 anos e com alguma experiência na cozinha como bagagem, Paola se candidatou a uma vaga e foi chamada para trabalhar com Francis Mallman, grande chef argentino de fama mundial. A parceria rendeu nove anos e foi com ele que ela aprendeu a manejar o fogo na culinária, habilidade que também a tornou famosa.

Entretanto, a cozinheira é categórica quando perguntam sobre o ex-colega: ótimo profissional, péssima pessoa. Para Paola, existe o chef Francis, cozinheiro admirável e de talento incomparável, e a pessoa Francis, que ela considera arrogante e egoísta.

A lição que fica não é para explicitar tudo que você pensa sobre seus ex-chefes — você pode fazer isso se quiser, mas corre o risco de jogar no lixo um bom contato de negócios —, mas para separar o profissional do pessoal.

Assim como Paola, você não precisa necessariamente gostar do seu chefe nem de ninguém que trabalha ou convive com você. Mas você pode aprender algo novo com todo mundo. Por isso, não deixe as impressões pessoais ruins te cegarem diante das oportunidades.

Fazer negócios é estabelecer laços

Depois de viajar o mundo trabalhando para os chefs mais renomados, Paola veio para o Brasil em 2001 para assumir a cozinha do Figueira Rubaiyat, um dos restaurantes mais badalados de São Paulo. Ficou lá até 2003, quando seu contrato acabou, e decidiu permanecer no país para fugir de uma crise econômica na Argentina.

Então, após 12 anos trabalhando para outras pessoas, Paola sentiu que era a hora de ter um empreendimento seu e usou todo o dinheiro que tinha para abrir o Julia Cocina, seu primeiro restaurante.

Inspirado em Julia Child, ícone dos programas culinários na TV, o Julia Cocina era delicado e tinha um cardápio pequeno, mas que fez muito sucesso com o público. Porém, com o sucesso também veio uma enorme dor de cabeça para a cozinheira.

Paola enfrentou uma série de divergências com o sócio até que, após a quebra de confiança irreparável na relação, decidiu vender sua parte no restaurante e partir para outra.

Óbvio que não foi nada fácil para ela abrir mão do Julia Cocina, que era a realização de um sonho. Mas a confiança é fundamental para qualquer relação funcionar, seja ela de negócios ou não.

A lição que fica é que, se você não confia nos seus sócios, mais cedo ou mais tarde terá problemas. Fique atento antes de fechar uma parceria que pode não ter futuro.

Se você quer alcançar algo, faça algo

Com a experiência do Julia Cocina ainda recente, Paola se juntou a outros sete sócios e abriu o Arturito em 2008. O restaurante também foi um sucesso desde seu primeiro dia mas, em quatro anos, as divergências com os sócios se transformaram em um novo problema para a cozinheira.

Apesar do lucro que o restaurante dava, Paola não acreditava no seu modelo de negócio. Enquanto seus sócios focavam em construir um ambiente moderno e cosmopolita, Paola desejava ver no Arturito um restaurante mais acolhedor e próximo das suas raízes, que remetesse à época em que ela colhia vegetais com a avó na horta de casa.

Além disso, nessa época (2012), Paola tinha 40 anos, uma filha de dois anos de idade, trabalhava absurdamente e, ainda assim, vivia no cheque especial. Ou seja, apesar de seus esforços, ela não estava evoluindo. Era hora de tomar uma atitude.

Num momento de catarse, a chef pegou duas folhas de papel. Em uma, escreveu tudo que tinha no momento: dívidas, emprego, uma filha para criar. Na outra, como gostaria de estar em dois anos.

Da reflexão, tirou quatro certezas:

  • A primeira, que iria morrer algum dia;
  • A segunda, que não estava feliz com a vida que levava;
  • A terceira, que teria que fazer ela mesma alguma coisa para mudar essa realidade;
  • E a última, de que era uma cozinheira e seria assim que daria a volta por cima.

Então, Paola fez um empréstimo de R$ 2 milhões de reais e comprou a parte de todos os sócios no restaurante, se transformando na dona única do Arturito.

O restaurante estava mal das pernas, mas ela não desanimou. Pelo contrário, decidiu assumir o controle do seu negócio de uma vez por todas.

Para colocar ordem na casa, Paola se tornou uma faz-tudo: cozinhava, limpava e apagava qualquer incêndio que aparecesse no Arturito. Foram dias difíceis, mas, sob os cuidados da cozinheira, o restaurante encontrou seu caminho e começou a atrair a clientela paulistana novamente.

Do momento em que decidiu assumir as rédeas do seu negócio até conseguir colocá-lo nos trilhos, Paola enfrentou muito trabalho duro. Mas foi justamente sua iniciativa de tomar a frente do restaurante que transformou o Arturito em um empreendimento saudável.

Se você realmente acredita no seu empreendimento e quer vê-lo bem sucedido, assuma o controle do seu negócio e faça o que precisa ser feito, mesmo que isso signifique limpar o chão ou desfazer uma sociedade.

O trabalho de um empreendedor nunca acaba

Com o Arturito sendo um sucesso novamente, o trabalho de Paola apenas aumentou.

Para conciliar as funções de empresária e chef, ela decidiu que só assumiria a cozinha do restaurante às sextas. Nos demais dias da semana, cuidaria da administração, para manter seu negócio no caminho certo.

Em uma de suas sextas, serviu um prato típico do seu país — as empanadas, uma espécie de pastel assado. O prato fez tanto sucesso que deu origem a um novo empreendimento, o La Guapa Café. Após duas sociedades frustradas, dessa vez Paola fechou parceria com um sócio com que realmente compartilhava uma visão de negócios e em quem confiava plenamente.

Logo em seguida, veio o convite para integrar o time de jurados do Masterchef Brasil, um grande desafio que ela, mesmo avessa aos holofotes, decidiu topar para projetar a imagem de seus restaurantes. E assim, Paola se tornou um ícone da cozinha para todos os brasileiros.

Mesmo famosa, a cozinheira continua humana, acessível e trabalhando duro para fazer seus empreendimentos darem certo. Inclusive, afirma que só terminou de pagar seus empréstimos em 2016, ano em que também conseguiu lançar seu primeiro livro de receitas, o Todas as Sextas.

E assim como o sucesso não veio da noite para o dia, Paola continua se esforçando diariamente para mantê-lo. Agora, com a maturidade de uma empreendedora que já quebrou a cara muitas vezes, mas sempre se levantou, arregaçou as mangas e voltou a trabalhar pelos seus objetivos.

E aí, gostou da história de Paola? Conta nos comentários o que mais te inspira na jornada da chef argentina! E, se você quer mais casos de sucesso para te motivar, não deixe de ler outras histórias de empreendedores famosos que contamos aqui no blog.