fundador do KFC

Como o fundador do KFC ficou bilionário depois do 60 anos

Nós acreditamos que referências de inspiração são fundamentais para quem quer empreender. Por isso, contaremos a história de um dos maiores modelos de superação e fundador do KFC, Colonel Harland David Sanders.

O caminho de um empreendimento é tortuoso e pode envolver desafios que nem sempre imaginamos: grandes nomes do empreendedorismo tiveram histórias inimagináveis de superação para alcançarem o sucesso.

Nós acreditamos que referências de inspiração são fundamentais para quem quer seguir esse sonho e, por isso, hoje contaremos a história de um dos maiores modelos de superação e fundador do KFC, Colonel Harland David Sanders.

Não deixe de conhecer a trajetória dele e se inspire com os desafios superados e oportunidades encontradas em seu caminho!

O começo da trajetória

9 de setembro de 1890 é a data de nascimento do homem que revolucionou o setor de fast-food americano, e que mais tarde se tornaria uma lenda como fundador do império mundialmente conhecido como KFC — Kentucky Fried Chicken.

Dono de uma história não tão fácil, sua vida começou no leste do estado de Indiana em uma pequena cidade chamada Henryville. Primogênito dos três filhos de Wilbur David e Margaret Ann Sanders, sua família vivia uma vida modesta, presentes sempre na igreja adventista da cidade por influência da mãe.

O pai de Colonel Sanders carregava uma fama de ser um homem extremamente afetuoso, responsável por trabalhar em uma fazenda de 80 hectares até se acidentar e quebrar uma perna: após isso, ele se tornou um açougueiro para conseguir o provento para seus filhos e esposa.

Já sua mãe, se incumbiu de dar uma educação católica rígida, continuamente alertando as três crianças sobre o uso de álcool, cigarro, jogos de azar e “vadiagem” aos domingos — induzindo a presença deles na igreja no dia santo.

O primeiro grande problema aconteceu quando Colonel Sanders tinha apenas 5 anos: o falecimento inesperado e prematuro de seu pai pegou a família de surpresa. Margareth, sua mãe, começou a trabalhar em uma fábrica de tomates em conserva enquanto o pequeno garoto ficou responsável por cuidar dos irmãos, arrumar a casa e preparar a comida.

Devido a isso, aos 7 anos — e com responsabilidades de um adulto — Colonel já teria desenvolvido ótimas habilidades para manusear pães, vegetais e carnes. Aos 10, o trabalho como fazendeiro foi necessário para ajudar sua mãe a pagar as despesas da família.

Em 1902, Margareth Ann se casou novamente e mudou com seus três filhos para Greenwood. A relação conturbada com o padrasto, aliada às dificuldades com álgebra — matéria que ele alega ter sido responsável por acabar com seu interesse à escola — fez com que ele abandonasse seu lar aos 13 anos.

A busca por novas experiências

Ciente do desgaste do relacionamento familiar e após um pedido do próprio filho, Magareth autorizou Colonel Sanders a se mudar para New Albany, Indiana, para viver com seu tio. Nessa nova cidade ele conseguiu um emprego como condutor em uma empresa de carros deste parente.

Buscando novas experiências, o garoto falsificou sua data de nascimento em um documento que apresentou para o exército dos Estados Unidos. Aprovado, seu primeiro compromisso de serviço foi uma atividade em Cuba. Em apenas um ano, teve sua dispensa honrosa pelo bom serviço, podendo voltar para Alabama — seu tio tinha se mudado para lá —, onde, por surpresa, encontrou com seu irmão que também fugiu do maltrato do padrasto.

Com 16 anos, Sanders começou uma trajetória de vários empregos sucessivos em um curto período de tempo.  Trabalhou como ajudante de ferreiro nas oficinas da empresa ferroviária em que seu tio era contratado, limpou cinzas dos trens desse mesmo setor, ajudou seu tio na prestação de serviços do qual era responsável, até que foi promovido para bombeiro de motores a vapor em 1 ano de atividade.

Agora, com efetivo conhecimento profissional, o jovem garoto começou a buscar empregos melhores, e em sua primeira experiência na empresa Norfolk and Western Railway.

Com a vida de certa forma estabilizada, o jovem começou a buscar mais conhecimento e passou a estudar Direito por correspondência na La Salle Extension University, e adaptou sua rotina para poder concluir o curso: durante o dia ele trabalhava na empresa rodoviária e à noite, se dedicava aos estudos.

Em seu ambiente de trabalho — e no meio dessa rotina tripla —, Sanders conheceu Josephine King, mulher que em pouco tempo se tornou sua esposa.

O casal teve três filhos: Margaret Sanders, Mildred Sanders Ruggles e Harland Sanders — esse falecido em 1932 por uma infecção na amígdala.

Com a pressão de uma nova família e filhos para criar, junto a tentativa de concluir o curso, o rapaz conseguiu um outro emprego com melhor salário em Illinois. A rotina pesada deu origem a um nível de estresse muito alto, e como essa de se esperar, acabou desencadeando uma briga com um colega de trabalho dentro da empresa — terminou com a demissão de ambos.

A tentativa de se reerguer

Sem um emprego, com a imagem comprometida na cidade e uma família com necessidades fez com que Colonel e Josephine acabassem se separando: a mulher e as filhas para a casa de seus ex-sogros na Pensilvânia enquanto ele foi para Rock Island, situação que durou por cerca de 5 anos.

Esse foi o tempo suficiente para conseguir a graduação de direito e trabalhar por 3 anos. A ideia do jovem pai era juntar um dinheiro suficiente para ajudar sua família, mas mais uma vez, se via insatisfeito com sua profissão. A carreira jurídica acabou com outra briga, agora com um cliente.

Os planos do futuro fundador do KFC foram mais uma vez interrompidos e assim, ele voltou a morar com a mãe na cidade de origem e trabalhar na ferrovia de Pensilvânia — onde sua família vivia.

O início dos empreendimentos

Insatisfeito com todas as experiências profissionais que teve, a ideia de empreender para vencer desafios e buscar seus objetivos começou a crescer.

Sua primeira ideia foi estabelecer uma companhia de travessia por água de duas cidades. Como o dinheiro ainda era pouco — e tudo que ganhava era enviado para a esposa e filhas —, Colonel Sanders buscou por um financiamento e teve que começar como acionista minoritário do empreendimento, figurando como secretário.

Esse serviço teve sucesso instantâneo e fez com que ele ganhasse mais visibilidade na cidade. Em 1922, dois anos após a abertura da empresa, esse novo empreendedor foi indicado para a Câmara do Comércio de Indiana. Apesar do dinheiro, Sanders ainda não se sentia plenamente feliz, o que o fez renunciar ao cargo indicado e vender a companhia de travessia por US$ 22.000 à época — equivalentes a US$ 309.000 atualmente.

Esse dinheiro serviu para, mais uma vez, financiar outra empreitada: manufaturação de lâmpadas de acetileno. Contudo, o lançamento da lâmpada elétrica logo depois pela Delco foi responsável por falir seu novo empreendimento.

O começo do KFC

KFC

Já com 40 anos, a Shell Oil Company, ciente das diversas experiências profissionais de Colonel Sanders, ofereceu à ele uma proposta inusitada: mudar de cidade e gerir um restaurante em Kentucky — como se fosse uma filial vinculada —, em troca de uma participação na porcentagem das vendas realizadas.

A proposta inicial da companhia era servir refeições à base frango presunto e outras carnes locais para os clientes e a gestão começou a ter efeitos. E tamanha foi a repercussão que nessa época, um concorrente, Matt Stewart, insatisfeito com a perda de consumidores atirou conta o estabelecimento, matando um funcionário da Shell — que prestava serviços para Sanders — durante o trabalho.

Uma vez preso, o novo gestor em ascensão ganhou mais espaço no mercado: a prisão de Matt gerou, de certa forma, um monopólio do restaurante mais famoso de Kentucky. Tamanha a fama que um crítico culinário, Duncan Hines visitou, aprovou e incluiu o estabelecimento em seu guia de restaurantes, o Adventures in Good Eating — Aventuras de boas refeições.

O tempo passou e Colonel Sanders conquistou toda a cidade, aprimorando cada vez mais suas receitas. Em 1940, já com 50 anos, ele finalizou a famosa “Receita Secreta” na fritadeira, capaz de fazer frangos mais rápidos do que na panela, enquanto investia seus lucros em empreendimentos como outros restaurantes maiores e motéis.

Quando os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial em dezembro de 1941, as políticas de racionamento começaram a se espalhar e, na mesma medida, a quantidade de turistas caiu drasticamente. Esse problema em escala global fez com que vários empreendimentos de Colonel fossem à falência, restando apenas o restaurante em Kentucky.

Assim, ele passou a dirigir cafeterias para o governo em trabalhos de artilharia no Tennesse até 1947 dois anos após o final da guerra, que trouxe ao fim também seu casamento com Josephine por diversos atritos no relacionamento e, entre eles, a amante Claudia Ledington-Prince.

O sucesso do KFC

Sanders então dá o nome de KFC — Kentucky Fried Chiken, ou em português, Frango Frito de Kentucky — à receita secreta que usa em restaurante. Os famosos frangos vendidos em seu estabelecimento tomam a cada dia, proporções maiores, atraindo investidores e outros empresários.

Em 1952, já com 62 anos, o fundador do KFC franqueou a primeira receita para Pete Harman em Utah, um investidor de um dos maiores restaurantes de lá. No primeiro ano, a venda de refeições do triplicou, sendo o frango frito responsável por 75% do aumento dos lucros.

Para Harman, esse insumo era único e invocava a hospitalidade sulista e, em homenagem à isso, contratou um profissional para colocar o nome KFC em seu restaurante.

Com o sucesso em Kentucky e em Utah, a fala de Sanders atraiu diversos outros interessados, garantindo a abertura de franquias de diversos outros restaurantes. O conceito era simples: para cada frango vendido pelo franqueado, US$ 0,04 centavos de dólar deveriam ser pagos para o fundados do KFC.

Sanders acreditava que seu primeiro restaurante em Kentucky teria sucesso eterno, mas aos 65 anos decidiu vendê-lo como uma grande visão empreendedora.

Administrando esse dinheiro, ele e Claudia abriram um negócio longe de Kentucky, em Shelbville, Indiana enquanto visitavam outros negócios para oferecer a receita secreta de frango frito KFC.

Essa estratégia foi um sucesso e em pouco tempo o KFC se tornou uma das primeiras cadeias de fast-food com presença internacional, abrindo estabelecimentos no Canadá, Inglaterra, México e Jamaica nos anos 60.

Em 1962 ele se certificou de patentear o método de preparo do frango empanado em fritadeiras e em 1963 registrou a frase “It’s Finger Lickin’ Good — que acompanha a marca.

KFC

O momento de passar o KFC para frente

A companhia rapidamente se expandiu para mais de 600 locais e ganhou proporções muito maiores do que Colonel Sanders, com seus 73 anos poderia gerir.

Isso culminou na venda da corporação KFC por US$ 2 milhões na época — cerca de US$ 14.5 milhões atualmente — para um de seus parceiros de maior confiança, John Y. Brown Jr e Kack C. Massey, um advogado e futuro governador de Kentucky e um capitalista de risco e empresário.

Sanders então recebeu o cargo de embaixador e continuou suas viagens de operações de franquia em diversos países como a própria Inglaterra, Florida, Utah e Montana para expandir a marca.

O fundador do KFC se perpetuou como símbolo principal da corporação mesmo após vendê-la, viajando mais de 300 mil quilômetros por ano em nome da empresa para checar franquias, filmar comerciais e divulgar ainda mais o nome de seu empreendimento.

Sua fama ainda foi responsável por trazer alguns problemas de imagem: A Heublen Inc. — até então empresa-mãe da KFC — foi processada por ele, pelo uso de imagem indevida sobre produtos dos quais não houve sua participação para desenvolvimento.

Já com 89 anos, em 1979, Sanders ainda fazia visitas surpresas em restaurantes que levavam o nome da marca, denunciando aqueles em que a comida o desapontasse. Sua preocupação com a receita secreta perdurou mesmo após vendê-la oficialmente para outros investidores.

Sua trajetória acaba em 1980 aos 90 anos. Uma pneumonia no final do ano, já com a saúde debilitada acabou com seu falecimento, mas com a eternização de um empreendimento criado com seus 62 anos de idade.

Histórias como a de Colonel Harland David Sanders são exemplos de que não há idade certa para empreender e que barreiras e impedimentos acontecem na vida de todos. O segredo é saber lidar com os contratempos e aproveitas todas as situações da vida para que seus objetivos possam ser alcançados.

E então, leitor? Gostou de conhecer a história do fundador do KFC, com seus desafios e reviravoltas em toda sua trajetória? Quer conhecer mais pessoas que te inspirem? Conheça a história da Anitta e entenda o porquê dela ser um dos maiores exemplos de empreendedorismo do Brasil.

  • Bento Lima de Lucena

    Rei da resiliência, a resiliência em pessoa