Entrevista: Mauro Henrique Toledo sobre a arte de falar em público

Entrevista: Mauro Henrique Toledo sobre a arte de falar em público

Mauro Henrique Toledo e as atrizes Denise Del Vecchio e Alzira Andrade são sócios da Teatres, consultoria com técnicas teatrais para comunicação pessoal-interpessoal e assessoria na criação-produção de intervenções teatrais e palestras sob-medida para gestão corporativa.

Mauro Henrique Toledo e as atrizes Denise Del Vecchio e Alzira Andrade são sócios da Teatres, consultoria com técnicas teatrais para comunicação pessoal-interpessoal e assessoria na criação-produção de intervenções teatrais e palestras sob-medida para gestão corporativa.

Mauro é ator, músico, educador-vocal e corporal e dramaturgo, escreveu e atua nas peças teatrais corporativas: Dr. Hamburger PhD (foco em gestão e liderança); “Atender bem, olhar além” (foco em atendimento); “O vendedor atuante no cenário das vendas” (foco em agregar valor em negócios).

Apresenta-se junto com Alzira Andrade no show-palestra motivacional musical “Sou aprendiz, na revolução de ser feliz”, e são criadores-instrutores do Curso 12 Personagens para Falar em Público e do Método Business Evolution para postura em vendas e atendimento ao cliente.

Clientes Teatres: profissionais liberais e empresas Aon, Honda, Daitan, Drogaria SP, Air BP, HP, Diveo, Itaú, Santander, Sandvik, etc.

Mauro Henrique Toledo

Mauro Henrique Toledo

Na hora de se comunicar, quais as maiores dificuldades que os empreendedores enfrentam?
Aponto três dificuldades que podem ser educadas: má respiração, desconhecimento emocional e corporal e frágil estruturação do discurso.

Má qualidade de respiração que impede controlar a ansiedade e ouvir a própria voz enquanto fala. Desconhecimento emocional e corporal que impede o estabelecimento de postura firme, confiante e simpática. E a frágil estruturação do discurso que falha por não ter clareza de propósito, argumentações relevantes e linguagem adequada ao tipo de platéía.

Quais as principais diferenças entre comunicação em público e as conversas do dia-a-dia?
No caso da conversação, quando falamos algo, o outro pode reagir, duvidar, perguntar, concordar, responder e completar com informações e fatos que desconhecemos, observações e opiniões diferentes das nossas.

Conversar é como improvisar no teatro, afirmamos algo e de acordo com resposta do outro caminhamos para compor uma estrutura que faça sentido para os dois. Esse diálogo pode ser objetivo, se em busca de orientação para solução de problema ou definição de ideia e-ou conceito. Ou pode ser um diálogo descompromissado, se o contexto é “jogar conversa fora”, o que é absolutamente salutar. Geralmente objetividade e descompromisso andam juntos na conversação do dia-a-dia: conversamos para compartilhar nossa humanidade, idiosincrasias e interesses comuns.

No caso de falar em público, não temos a interatividade explícita das respostas imediatas da platéia. Portanto é fundamental estruturar razão, argumentação e emoção para cumprir com o propósito definido, seja ele de informar, convencer, entreter, ensinar, persuadir, vender, influenciar ou divertir. O comunicador deve se preparar para mover a platéia para a sua causa pela força de seus argumentos e comover a platéia pela sua fé, paixão e entusiasmo. Mover com retórica e comover com eloquência. Sem o trabalho de autoconhecimento e desconsiderando mente e coração de nossa platéia, não ampliamos nosso melhor e colhemos desinteresse e tédio.

Infelizmente é muito comum no mundo corporativo o uso de frases pomposas porém pouco significativas como “Provemos soluções inovadoras focadas em agregar valor para o cliente, sempre pensando no mundo de amanhã”. Qual a importância de se ter uma comunicação mais objetiva?
Menos é mais. Cito sempre em meus cursos: “obrigado pela informação que você não me deu”. Faço uma analogia com os poetas: ser poeta é cortar palavras. Uma imagem vale mais que mil palavras e aquela frase bem pensada, que define uma ideia, comunicada com a emoção correta vale mais que uma bacia de verbos indiretos, sujeitos ocultos, pronomes indefinidos e substantivos abstratos.

Quando a platéia é considerada e se previamente nos dedicamos a entender o objetivo de nossa exposição, facilitamos nosso trabalho e somos mais eficazes.

Permitam-me indicar o vídeo da palestra do Guy Kawasaky no www.saiadolugar.com.br. Tem um trecho que ele fala de maneira divertida sobre reuniões para definir missão da empresa. Ele critica a definição pomposa da missão e pede que se defina um mantra no lugar! Interessante. Menos é mais. (confira o vídeo aqui)

Numa escala de 0 a 10, quanto você dá de importância para o ensaio antes uma apresentação?
É importante ensaiar, porém não acho legal decorar. E dou nota 10 para quem se preocupa em pesquisar, criar e fazer uma abertura simpática de sua apresentação.

Geralmente, nos dois ou tres primeiros minutos da palestra é quando estamos mais tensos e é importante causar uma ótima impressão, buscando a atenção e o interesse da platéia pelo assunto desde o início.

Se temos uma abertura estudada e “levemente decorada” podemos começar com mais confiança, mais centrados, sem ficar pensando muito nas palavras que estamos falando. Essa estratégia nos permite controlar a ansiedade e a respirar corretamente buscando estabilizar nossa razão e emoção, sem deixar de compartilhar o tema com a platéia.

Quais as principais dicas que você dá para empreendedores que querem perder a timidez na hora de falar em público?
Conheça sua platéia: imagine as perguntas que você acha que sua platéia lhe faria e prepare essas respostas; respeite o tempo dos outros e seja generoso tendo consciência de que seu conteúdo serve pra você e para os que lhe ouvem. Pois o que serve é útil; o que é útil é bom; e o que é bom conduz à felicidade.

Aponto três dificuldades que podem ser educadas: má respiração, desconhecimento emocional e corporal e frágil estruturação do discurso. Má qualidade de respiração que impede controlar a ansiedade e ouvir a própria voz enquanto fala. Desconhecimento emocional e corporal que impede o estabelecimento de postura firme, confiante e simpática. E a frágil estruturação do discurso que falha por não ter clareza de propósito, argumentações relevantes e linguagem adequada ao tipo de platéía .
  • Alguém vai fazer uso disso num tal de Tire do Papel.. Conhecem? 🙂

  • Alguém vai fazer uso disso num tal de Tire do Papel.. Conhecem? 🙂

  • mara

    Bacanas as informações. Aqui na empresa o pessoal fez o curso de oratoria do instituto moreira necho (www.mnecho.com).

    Foi muito valido, pois agora nao passo mais vexame e sou ate elogiada por colegas. Por isso, para crescer na vida, tem que estudar mesmo.

  • mara

    Bacanas as informações. Aqui na empresa o pessoal fez o curso de oratoria do instituto moreira necho (www.mnecho.com).

    Foi muito valido, pois agora nao passo mais vexame e sou ate elogiada por colegas. Por isso, para crescer na vida, tem que estudar mesmo.

  • Boa dicas, mas ficar apenas na teoria não adianta, é preciso treinar e ir falar em público, ainda que esse público seja inicialmente um grupo de amigos, apenas com o objetivo de treinar mesmo.

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