Entrevista: Guilherme Pereira sobre Inovação Tecnológica

Guilherme Pereira, Associado do Instituto Inovação

Guilherme Pereira é associado e coordenador de projetos do Instituto Inovação, onde atua auxiliando empresas e órgãos governamentais a gerar inovação. Participa de projetos de viabilidade técnico-econômica, elaboração de planos de negócio, mapeamento de oportunidades e tecnologias, corporate venture e gestão de incentivos fiscais à inovação tecnológica. Possui experiência em proejtos junto à Instituições de Ciência e Tecnologia como Unicamp, USP e Embrapa, além de projetos com a iniciativa privada.

1- Em pleno século 21, ainda é difícil convencer empresas sobre a importância da inovação?

Cada vez menos. As empresas já entendem que inovar é necessário a grande questão é “como inovar”. A maioria das empresas não tem ferramentas ou modelos de gestão que facilitem/fomentem as inovações, que ocorrem muito mais pelo esforço individual de alguns empreendedores do que por um esforço organizacional.

Sempre encontramos empresas que querem inovar e não sabem como começar, ou que possuem uma percepção incoerente com os seus propósitos institucionais.

2- Inovação é algo complicado e apenas para empresas que tem muito dinheiro para investir?

As melhores inovações são as simples e descomplicadas. Olhando o iPod, produto ícone de uma das empresas mais inovadoras do mundo, vemos que a bagagem tecnológica não é complicada: tudo já existia. A convergência e a nova forma de explorar e capturar valor é que deram o caráter de inovação ao produto, e não o produto por sí só. Esta é a grande dificuldade que ainda impera – como capturar o valor de seu produto potencialmente inovador.

A maioria da percepção de valor de um bem ou serviço por parte dos clientes vem de outros fatores que não o produto em sí, mas sim de outras funções que são igualmente importantes para a oferta inovadora, como marketing, pessoas e a gestão da empresa. Os empreendedores são apaixonados por seus filhos (os produtos), mas muitas vezes esquecem destes outros fatores igualmente ou até mais importantes.

3- Quais as maiores barreiras para se inovar no Brasil?

Pra começar, os dentetores do capital empreendedor (ou até mesmo grandes empresas que querem investir) ainda possuem uma visão muito restrita e insegura dos resultados da inovação e faltam estruturas e processos que permitam que empresas busquem e desenvolvam novos negócios. A cultura do curto prazo ainda é o paradigma, os bônus dos gestores ainda são atrelados aos resultados de curto prazo – a inovação nem sempre se dá no curto prazo.

Se falamos de oportunidades de base tecnológica, enfrentamos, de um lado, a alta dependência cultural dos empreendedores em relação às universidades e, do outro lado, uma indústria de Venture Capital ainda insipiente no país. De maneira geral, não podemos deixar de comentar toda a burocracia exigida para a abertura e manutenção de uma empresa no Brasil.

É possível inovar no Brasil, mesmo com estas barreiras. O povo brasileiro não é só criativo, ele também gera grande quantidade de conhecimento científico de qualidade e com potencial de mercado.

4- Quais os incentivos para se inovar no Brasil?

O maior incentivo é o grande potencial que ainda não foi explorado. Temos muita estrada para rodar ainda e, macroeconomicamente, estamos numa fase muito interessante para o Brasil.

O Governo possui diversas linhas de fomento e incentivo, que podem ser acessadas por micro, pequenas ou até mesmo grandes empresas. Existe dinheiro disponível no Brasil para se inovar. Programas como o PRIME, Subvenção Econômica e demais linhas de financiamento do processo de inovação podem ser usadas por start-ups.

5- Quais as dicas para empreendedores que querem inovar mas não sabem como começar?

Busquem parceiros, não fiquem sozinhos. Os empreendedores precisam entender que quase nunca a solução vem apenas de uma pessoa. É preciso identificar quais são as competências críticas para o sucesso de sua ideia e buscar outras pessoas ou empresas que possam trabalhar com você. Completem-se!

Apresentem as suas idéias para outras pessoas antes de falar com um investidor em potencial, para que ela seja criticada e possa evoluir. Não tenha medo de apanhar e esteja aberto à opinião dos outros.

Lembre-se que uma ótima tecnologia por si só pode não ser um bom negócio. Avalie a cadeia de valor do seu mercado potencial e veja se você está capturando valor da forma mais efetiva. Avaliar seu modelo de negócio é essencial para o sucesso de sua empresa, afinal é através dele que a empresa captura e gera valor no mercado.

Se você quiser falar com o Guilherme, é só deixar seu comentário abaixo.

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  • Nathalia Correa Lima

    Olá Guilherme!
    Sou estudante de Engenharia de Alimentos na UFSC, e esse ano realizaremos um evento em que a temática será empreendedorismo e inovação. Gostaria de saber se você teria interesse em ministrar um palestra pra gente. Por favor, entre em contato comigo.
    Att,

  • Nathalia Correa Lima

    Olá Guilherme!
    Sou estudante de Engenharia de Alimentos na UFSC, e esse ano realizaremos um evento em que a temática será empreendedorismo e inovação. Gostaria de saber se você teria interesse em ministrar um palestra pra gente. Por favor, entre em contato comigo.
    Att,

  • Natanael Fonseca

    Olá Gulherme !

    Parabens! Excelente Artigo! Gostaria de saber sua opinião sobre sobre qual o melhor fundo para uma empresa de base tecnologica conseguir realizar um bom startup ? qual desses fundos que você citou oferece o melhor acompanhamento e a oportunidade para conseguir parceiros de forma rápida ?

  • Natanael Fonseca

    Olá Gulherme !

    Parabens! Excelente Artigo! Gostaria de saber sua opinião sobre sobre qual o melhor fundo para uma empresa de base tecnologica conseguir realizar um bom startup ? qual desses fundos que você citou oferece o melhor acompanhamento e a oportunidade para conseguir parceiros de forma rápida ?

  • Olá Natanael, eu mandei parte da resposta por e-mail, mas completo por aqui.

    Hoje já existem alguns fundos de investimento atuando na fase de start-up, alguns com foco em empresas de base tecnológica. Um caso é o Fundo Criatec (www.fundocriatec.com.br), ou até mesmo a ConfraPar (www.confrapar.com.br).

    Existem também vários investidores anjo, ou associações deles – como a São Paulo Anjos (www.saopauloanjos.com.br).

    No próprio Saia do Lugar tem um post sobre que fala um pouco sobre capital empreendedor (ou capital de risco). No site do Instituto Inovação temos um guia de capital de risco que pode te ajudar também.

    Abraços,

  • Olá Natanael, eu mandei parte da resposta por e-mail, mas completo por aqui.

    Hoje já existem alguns fundos de investimento atuando na fase de start-up, alguns com foco em empresas de base tecnológica. Um caso é o Fundo Criatec (www.fundocriatec.com.br), ou até mesmo a ConfraPar (www.confrapar.com.br).

    Existem também vários investidores anjo, ou associações deles – como a São Paulo Anjos (www.saopauloanjos.com.br).

    No próprio Saia do Lugar tem um post sobre que fala um pouco sobre capital empreendedor (ou capital de risco). No site do Instituto Inovação temos um guia de capital de risco que pode te ajudar também.

    Abraços,

  • Cecilia Queiroz

    Oi Guilherme (será que ainda vale falar com vc em junho/11 sendo que o artigo é de jan/10? rs)
    Tomara que sim!
    Na primeira pergunta você menciona que falta metodologia para inovação. Você acha que é possivel fazer a Gestão da Inovação da mesma forma que uma empresa (no caso pequena se tornando média) faz a Gerência de Projetos e Produtos? Ou você acha que existe ferramentas e maneiras mais eficazes de se promover a inovação e ser eficaz nisso? Abraço,
    Cecília

    • Guilherme Pereira

      Olá Cecília, espero poder ajudar sim!
      As metodologias de gestão de projetos geralmente são baseadas no controle de atividades e de seus riscos inerentes para garantir atingirmos um determinado escopo. O que acontece com a gestão de projetos de inovação é que, devido o alto nível de riscos (tecnológicos e mercadológicos), muitas vezes o escopo deve ser adequado no meio do processo. 

      Se usarmos técnicas mais clássicas para gerir um projeto de inovação podemos ter problemas por falta de flexibilidade. Por outro lado, se não usarmos nenhuma ferramenta de gestão de projetos também corremos o risco de não atingir resultados (e assim não temos a inovação de fato).

      O gestor de inovação deve conseguir balancear as ferramentas e metodologias que existem para garantir o sucesso de uma iniciativa, muitas vezes alterando radicalmente o escopo inicialmente definido para poder atingir os objetivos da empresa com a inovação.

      Acreditamos na Inventta que a inovação deve ser gerenciada para termos taxas de sucesso maiores, geralmente com ferramentas que consideram a flexibilidade do processo de decisão e de investimentos (não investir tudo de uma vez, vá por etapas, fazendo protótipos, balanceando riscos).

      Espero ter ajudado.
      Abraços,

    • Cecilia Queiroz

      Excelente! Tanto a resposta quanto a rapidez em enviá-la! 🙂
      Legal, então o esquema é não só gerenciar o projeto de inovação, mas também revê-lo periodicamente. Como trabalhamos com software, acho que fica ainda mais fácil. 🙂
      Muito agradecida e feliz por ter tido uma resposta! Se puder me manda seu contato por email, eu adoraria! [email protected]

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