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Empresa de sucesso: Entenda o que a Netflix, Spotify, Uber, Airbnb têm em comum

São muitos os empreendimentos cujas ideias pareceram incompreensíveis no início, mas que hoje são verdadeiras empresa de sucesso.

Nada melhor para motivar um empreendedor do que observar a história de empresa de sucesso. Ford, Coca-Cola, McDonald’s, Embraer etc. São muitos os exemplos de empreendimentos cujas ideias pareceram incompreensíveis no início, mas que hoje são verdadeiros gigantes econômicos.

No entanto, em pleno século XXI, podemos notar que outros negócios já podem ilustrar o “hall da fama” das empresas de sucesso: Netflix, Spotify, Airbnb e Uber possuem todas as características necessárias para servirem de exemplo para novos empresários.

Vamos entender mais sobre essas gigantes mundiais que têm espaço garantido em seu smartphone?

Netflix: a empresa de DVD que desafiou as gigantes da TV

O mercado de audiovisual costumou ter suas inovações sendo pautadas pelo avanço tecnológico. Foi assim com o cinema e com a TV. As novidades com relação à qualidade ofertada ao cliente dependiam da velocidade com que as empresas que desenvolviam os aparelhos inovavam.

Isso fez com que situações curiosas ocorressem nesse mercado. A Sony, grupo de comunicação que possui milhões de telespectadores em todo o mundo, amarga os resultados ruins obtidos pela sua divisão responsável pela produção de aparelhos de TV. As pessoas assistem à Sony, mas não em uma Sony.

Essa distância tecnológica fez com que as empresas de entretenimento se acostumassem ao modo de trabalho existente. Isso até fazia sentido, afinal, muito dinheiro havia sido investido na criação de complexas redes de cabos, antenas e satélites para transmitir conteúdo. Bastava, agora, criar produções que agradassem ao público o suficiente para fazê-los pagar por elas.

Uma dessas empresas que lucrava com o mercado daquele jeito era a Blockbuster, a maior rede de locadoras de filmes e vídeo games do mundo. Essa empresa ganhava quando o usuário alugava uma mídia física, mas também quando ele não a devolvia. Isso porque a Blockbuster cobrava multas pesadas em cima de atrasos — o que incomodava os clientes.

Assistindo filmes sem sair de casa, graças aos motoboys

Essa inconveniência de ter que ir até uma locadora, escolher o filme e correr o risco de esquecer de devolvê-lo chamou a atenção de Marc Randolph, um publicitário com especialização em Publicidade e Vendas. Ele foi o primeiro CEO da Netflix.

A empresa ainda contava com o matemático Reed Hastings, que possuía mestrado em Inteligência Artificial. Juntos eles criaram a Netflix. A primeira tentativa da empresa em oferecer comodidade aos fãs de filmes não deu certo, e a culpa foi da tecnologia da época: o VHS.

No entanto, uma segunda tecnologia estava surgindo e ela fez com que a Netflix se tornasse um dos grandes exemplos de empresas de sucesso, o DVD.

Surgia então um mercado de nicho, mas que se mostrou bastante lucrativo. O cliente entrava no site, escolhia seus filmes, eles eram entregues pela empresa e depois um motoboy ia à casa do freguês para recolhê-lo. No início o pagamento era feito por título alugado, mas em 1997 a empresa passou a oferecer o serviço de assinatura mensal que permitia ao usuário assistir quantos filmes quisesse.

É muito importante frisar algo nessa história: nada foi fruto do acaso. A empresa realizou longos estudos de mercado, desde o primeiro momento, para verificar a viabilidade da ideia. Foi isso que a impediu de começar a operar com as fitas VHS, por exemplo.

A tecnologia evoluiu, a Netflix também

O sucesso da empresa chamou atenção da Amazon que, em 1998, ofereceu US$ 12 milhões pela Netflix. Já nos anos 2000 a Netflix se ofereceu à Blockbuster pelo valor de US$ 50 milhões. A gigante do ramo das locadoras recusou a compra. Essa recusa parece impressionante hoje, mas na época ela fazia certo sentido, pois o mercado de atuação da Netflix era bem restrito.

Em 2007 a empresa crava a marca de 1 bilhão de DVDs alugados. No entanto, a mídia já estava ficando obsoleta. Nesse ano a Netflix lança o serviço de streaming.

Nem tudo deu certo

Em 2011 a empresa decide dividir suas operações em duas empresas. A Netflix deixaria de entregar mídia física aos assinantes, focando apenas no serviço de streaming. Para atender esses clientes fora criada uma segunda companhia: a Qkikster. Com isso, os serviços que antes eram unificados na mesma assinatura exigiriam que o cliente que ainda tivesse interesse adquirisse os produtos de forma separada, aumentando os custos.

A reação dos usuários foi bem negativa, gerando milhares de cancelamentos e fazendo o negócio voltar atrás em menos de um mês.

Hoje a Netflix está presente em quase 200 países. Só no Brasil ela fatura mais de 1 bilhão de Reais, quantia superior ao de algumas das maiores emissoras de TV aberta como o SBT, Band, RedeTV! e RecordTV.

Spotify: música para os ouvidos dos investidores

O que é mais importante: possuir um disco ou poder ouvi-lo? Esse é o questionamento principal que podemos ter com o Spotify. Ainda que o streaming de música seja algo muito recente, ele fez com que milhões de pessoas do mundo deixassem de lado a necessidade de possuir mídia física quando o assunto é música.

Desse modo, milhões de pessoas em todo o mundo conseguiram ter acesso aos lançamentos e clássicos de seus artistas favoritos. As gravadoras já estavam cientes de que seu modelo de negócio não oferecia produtos acessíveis, tendo em vista os recordes negativos, consecutivos, que experimentaram na última década.

Ademais, a popularização dos downloads piratas de músicas em formato MP3 assombrava artistas em todo mundo. Oferecer música de forma digital e, ao mesmo tempo, pagar pelos direitos autorais parecia uma equação sem solução.

No entanto, ela foi resolvida pelo Spotify. Em entrevista ao canal CNN o responsável pelas operações da empresa na América Latina afirmou que o bom desempenho da companhia é fruto de dois modelos de negócio. Um free custeado por anúncios e um premium.

Nota-se, portanto, que em desses modelos o produto oferecido pela empresa não é música, mas sim uma audiência que atrairá o interesse de anunciantes.

História da empresa

Spotify surgiu como uma startup sueca. Iniciou suas operações no país em 2008 oferecendo contas gratuitas aos usuários que possuíssem convites. A grande procura motivou a empresa a oferecer contas pagas a todos os interessados.

A negociação com as gravadoras durou cerca de dois anos. Reticentes, elas não entendiam como poderiam lucrar com o streaming, porém, estavam convencidas que era necessário tentar algo novo para conter a pirataria.

A empresa investiu na interação entre os usuários, tornando-se uma plataforma social, capaz de aproximar artistas e público. Além disso, a integração com redes sociais foi muito importante para diferenciá-lo de um simples player de música.

Hoje a empresa vela mais de US$ 8 bilhões.

Airbnb: sua casa é cinco estrelas?

Três amigos que moravam juntos — e que não tinham mais dinheiro para pagar o aluguel — resolveram usar seu talento como designers para montar um site e conseguir alguma grana.

Eles viviam em São Francisco e sabiam que os hotéis estariam lotados, devido a uma conferência na cidade. Decidiram alugar um quarto vago com um colchão inflável. No entanto, ao contrário do que esperavam, seus três primeiros hóspedes não confirmaram suas expectativas. Uma senhora de meia-idade, um imigrante indiano e um pai de família foram aqueles que, primeiro, se interessaram pela hospedagem.

Os jovens então perceberam o tamanho do potencial de negócio que estava diante deles. Hoje, a empresa que iniciou suas atividades em 2008 vale, incríveis, US$30 bilhões. Mais do que qualquer rede de hotéis.

Aliás, esse é um ponto interessante a ser discutido. O que torna a Airbnb uma das grandes empresas de sucesso que existem atualmente, não é apenas o fato dela oferecer a possibilidade de estadia em lugares de todo o planeta, mas sim o conceito de economia compartilhada.

A empresa percebeu que aquele quarto vago pode gerar lucro para seu proprietário e, por isso, já expandiu essa ideia para além da hospedagem. Alguns usuários alugam suas bicicletas e outros os seus celulares.

Hoje ela é uma das três startups mais valiosas do mundo, junto com o Xiomi e o Uber. Aliás, vamos falar um pouco dele?

Uber: o “inimigo número 1” dos taxistas

Seguindo uma ideia semelhante ao do Airbnb, podemos destacar o Uber como outro exemplo de economia compartilhada. Um dos pontos que difere as duas empresas é que, ao contrário dos hotéis, os taxistas não foram nada amigáveis aqueles que resolveram ganham alguma grana com o carro que estava parado na garagem.

No entanto, a empresa ofereceu de forma simples a solução que muitos governos não conseguiram encontrar para o problema de mobilidade urbana. Não por acaso, a companhia conquistou  o apoio dos usuários.

A cidade de São Paulo, conhecida pelo trânsito caótico, converteu-se na metrópole que mais utiliza o serviço no mundo.

Relação desgastada?

De todas as empresas citadas neste artigo, provavelmente o Uber seja a que enfrenta os maiores desafios. Primeiro porque em grande parte das cidades a companhia precisa de autorização governamental para funcionar. Segundo porque a relação com os taxistas ainda não é confortável. Terceiro porque a empresa já enfrenta concorrentes de peso, como a Cabify e, por último, porque a relação com os usuários já sofre desgastes.

No Brasil, por exemplo, tornaram-se comuns as queixas de usuários em sites como o Reclame Aqui. Entre as reclamações está o fato de alguns motoristas serem considerados “grosseiros”, algo que vai na contramão dos elogios feitos a eles quando a empresa começou a operar no Brasil, em 2014.

Além disso, constantes queixas de assédio por parte de passageiras tomaram as redes sociais em 2017.

Para finalizar a empresa vem sendo investigada pelo FBI por utilizar softwares para estudar empresas concorrentes, assim como hábitos de consumo de seus clientes.

Mesmo assim, a empresa segue solidificando sua marca. Hoje vale mais do que companhias tradicionais como a Ford ou a General Motors. Após receber um aporte financeiro de mais de dois bilhões de Dólares, a companhia criada por Travis Kalanick vale mais de US$ 60 bilhões.

E tudo isso porque, em uma tarde fria de neve em Paris, Travis teve dificuldade para pegar um táxi.

Empresa de sucesso: o têm em comum?

Inovação de mercados já existentes!

Todas as companhias citadas neste artigo conseguiram dar novo fôlego a mercados que aparentavam estar esgotados de ideias. Tornaram-se empresas de sucesso ao perceberem que a tecnologia poderia ser mais o melhor investimento possível.

Em alguns casos, não é exagero pensar que esses mercados estariam em sérios problemas se essas companhias não existissem. Netflix e Spotify estão solucionando um problema que os governos não conseguiram resolver: a pirataria.

Como grandes produtoras de conteúdo e gravadoras estariam hoje se Netflix e Spotify não tivessem convencido o cliente que era possível pagar pelas produções?

Respeito à liberdade do cliente

As quatro empresas de sucesso citadas neste texto mostram papéis novos para o já conhecido freguês. Em alguns casos ele pode ser parceiro da empresa, contribuindo para sua atividade. Em outros, ele  é um forte divulgador da marca.

Foi graças a esse modo de se relacionar com o público que as quatro empresas cresceram. Algo muito além da mera relação comercial cliente X empresa.

Modo diferente de anunciar

A publicidade dessas companhias também é inovadora. O telespectador brasileiro é bombardeado com peças publicitárias de empresas como NET e Sky, no entanto, a Netflix direciona seu arsenal publicitário para as redes sociais.

Uber tem uma abordagem ainda mais barata: quem faz a propaganda é o usuário satisfeito. Além disso, Spotify e Netflix criaram uma regra que seus concorrentes precisaram adotar: o período de teste grátis.

Ainda que amostras sempre existissem, essas empresas conseguiram dar um upgrade a essa abordagem, tornando-a quase obrigatória para outras marcas do mesmo segmento.

Isso fez com que mesmo empresas com grande penetração de mercado, como a Rede Globo que é líder absoluta na TV aberta e na TV fechada brasileira — a Globo é responsável por cerca de 40% da audiência da TV paga — resolvessem entrar no mercado de streaming, vendo a Netflix como um perigo para suas operações.

Vale lembrar que a emissora brasileira sempre se recusou a disponibilizar suas produções no serviço gringo de conteúdo on demand.

Como vimos neste artigo seu smartphone possui pelo menos um ícone de uma empresa de sucesso. Porém, isso não quer dizer que não há nada o que aprender com as antigas companhias. Aliás, a rede de comidas KFC pode ensinar muito aos empreendedores.  Para saber mais não deixe de ler este artigo.