Big Sanduíche

Conheça a história do menino de 8 anos que criou o império alimentício

Muitas vezes achamos que escolhemos empreender, mas nunca pensamos que empreender que escolhe a gente. Entenda a história do Big Sanduíche fundada por um grande pequeno empreendedor!

Empreender é um dom? É algo quem nasce em nós ou uma decisão que tomamos e um esforço que fazemos?

Nós escolhemos o empreendedorismo ou o empreendedorismo nos escolhe?

Essa perguntas são alguns dos grandes mistérios da humanidade. Hoje, você conhecerá a minha história. A história de um jovem menino de 8 anos que resolveu empreender e obteve um sucesso relâmpago!

Você vai conhecer o primeiro império alimentício da história dos recreios e o seu subsequente fracasso!

É hora de você conhecer como um empreendedor talentoso se tornou um colaborador medíocre no mundo do capitalismo!

Conheça a história da Big Sanduíche!

Como tudo começou

— André! André! É a última vez que eu vou te chamar. Você está atrasado.

Eu podia jurar que era a primeira vez que mamãe me chamava, mas ela jurava ser a quinta. Era difícil confiar nela naquele momento. Amar nossas mães é muito difícil quando elas insistem que acordar 6 horas da manhã e estudar é bom para o nosso futuro.

Hoje eu poderia ser campeão mundial de FIFA e multimilionário se ela não insistisse tanto que os meus estudos eram fundamentais para o meu futuro.

Estava muito cansado naquela manhã. A noite anterior foi uma noite de maldade. Sem meus pais saberem, eu e meu irmão roubamos toddynho e danoninho da geladeira e ficamos até tarde da noite assistindo Casa dos Artistas. Fomos dormir depois das 22h!

Tentei utilizar as minhas mais aprimoradas técnicas de persuasão! Disse que não estava me sentindo bem e que tinha quase certeza que estava com um caso grave de febre. Mamãe então disse que cuidaria de mim e que tinha um remédio ideal.

O remédio funcionou com primor, assim que o vi saltei da cama e disse que estava curado! E fui correndo comer o meu sanduíche de sempre de café da manhã.

Satisfeita, mamãe guardou o supositório.

Agora não tinha mais jeito. Lá estava eu, sozinho em uma fria manhã de segunda feira esperando a minha van. A escola por si só já era uma tortura, mas ir de van era igualmente sofrível. Não era como as incríveis excursões com meus colegas de classe.

Enquanto eu chegava na van super interessado em azucrinar o motorista com os grandes sucessos musicais da época como “a barata da vizinha tá na minha cama” e “ô motorista, pode correr”, os meninos mais velhos e companheiros de van preferiam cochilar.

O sofrimento estava apenas começando.

O recreio lucrativo

A dura manhã começou com uma aula da professora Célia. Uma professora cuja a aula passava mais devagar que uma corrida de lesma em câmera lenta.

Célia não gostava de crianças. Caso contrário ela jamais nos torturaria com aquelas aulas expositivas de português. Coisas que eu sabia que nunca ia usar na minha vida. Nunca prestaria atenção nas aulas dela e nunca tem problemas com a forma que eu escreverá. Tão desnecessário!

Momento aliviador veio quando o sinal da hora do recreio tocou. Era hora da selva. O momento em que as crianças eram largadas em meio ao ambiente hostil, cheio de violência, bullying e crimes hediondos, o momento de aprender a lidar com os mais fortes e, principalmente, com as meninas.

Era hora também de assumir minha identidade de Goku e salvar o mundo das forças das trevas com os meus amigos. Claro, sem pisar na lava.

Antes dos meus compromissos de evitar a total destruição mundial, era hora da merenda! Abri a minha mochila e me surpreendi com o meu lanche do dia.

Mamãe, sempre muito preocupada com os valores nutritivos das minhas refeições, colocava o resto dos vários chips que eu havia aberto no final de semana. Graças às minhas refeições nutritivas da minha época de recreio, me tornei um saudável adulto de 25 anos e cem quilos, com uma namorada que aperta a minha barriga e me chama de pudim.

Obrigado mãe!

Naquele recreio, porém, percebi que havia extrapolado um pouco na quantidades de chips abertos no final de semana. Afinal, haviam 4 sacos diferentes na minha mochila. Ruffles, Fandangos, Cheetos e Pingo d’Ouro.

O banquete estava preparado.

Foi aí que tive uma ideia sábia. Por que comer todas aquelas gostosuras separadas, se eu poderia juntá-las e fazer um sanduíche de chips? Foi então que coloquei um Ruffles entre dois Fandangos e minha ousadia culminou em sanduíche delicioso!

Resolvi apelidá-lo de Big Sanduíche. Sei que não é um ótimo nome, se eu tivesse toda a criatividade que tenho atualmente, provavelmente o nome seria, Sanduchips.

O sucesso foi iminente! Logo os meus melhores amigos Bernardão e Bode pediram para experimentar e perceberam a maravilha da união dos sabores dos diferentes chips.

Porém, eles não foram os únicos a me pedir.

— Me dá um também! — surgiu uma voz da profundeza das trevas.

Reconheci a última voz que queria ouvir no recreio. Feijão, nosso colega de classe, havia testemunhado o meu genial experimento.

Pensa em uma criança chata! Isso, agora piora essa criança em 10 vezes. Feijão não era chato e muito menos insuportável. Essas descrições sequer arranham a superfície quando estamos falando daquela criança. Precisamos criar uma nova palavra para descrever o delinquente. Para o bem da história vamos dizer que ele era uma criança “infeijável”.

Não queria que feijão usufruísse dos prazeres que minha genial ideia proporcionava. Foi então que, por impulso, tive outra brilhante epifania:

— Claro Feijão, custa 10 centavos!

Para minha surpresa, Feijão rapidamente abriu a sua pochete e retirou 30 centavos!

— Eu quero três!

Aquela criança obesa e “infeijável”, então, me deu uma das melhores ideias da minha vida. Se eu tenho um produto único e faço algo que ninguém mais tem a capacidade de fazer, eu precisava monetizar o meu negócio.

Foi aí que começou o primeiro Império de Sanduíches do Mundo (dos recreios escolares): O Big Sanduíche!

Lei da oferta e da demanda

As filas para comprar as minhas especiarias davam volta no escorregador. Todo mundo queria experimentar aquele produto incomparável.

Percebi que a minha produção precisava ser mais escalável.

Nos dias subsequentes comecei a levar entre 5 e 6 sacos diferentes de chips para fazer um cardápio riquíssimo. Um cardápio cuja a ousadia e criatividade apenas se equiparava ao delicioso sabor dos produtos:

Big Sanduíche: Um Ruffles entre dois Fandangos

Big Burguer: Um Ruffles entre dois Pingos d’Ouro

Cachips Quente: Um Cheetos entre dois Fandangos

Beirute: Um Cheestos entre dois Ruffles

Big Sanduíche Plus: Dois Ruffles entre dois Fandangos

Entre várias outras opções. Com o tempo as combinações tornavam-se cada vez mais ousadas. Um vez cheguei a vender um Pingo d’Ouro entre dois Ruffles entre dois Cheetos entre dois Fandangos. Nem lembro o nome desse fenômeno. Provavelmente era Megazord.

Os preços variavam com o meu humor e com o nível de empatia que eu tinha pela pessoa. A Paulinha, por exemplo, comia de graça.

Com o tempo porém, as empresas de chips começaram a inflacionar os seus preços e a substituir grande parte dos chips por saborosas quantias de ar. Dessa forma, os preços da Big Sanduíche foram às alturas. Uma vez cheguei a vender um Big Sanduíche por 50 centavos.

Você consegue calcular o tamanho do ROI que eu tinha? Meu negócio era muito mais rentável do que qualquer Facebook. A criança mais rica da escola, tinha apenas 8 anos.

Eu conseguia até contratar os meninos mais velhos para evitar qualquer tipo de ataque ao meu Império. Mantinha as receitas dos produtos em segredo para evitar que a empresa fosse copiada.

Tudo estava muito bem armado. Porém, esqueci de me precaver contra o maior inimigo das ideias mirabolantes das crianças: os pais!

A queda do Império

Parecia ser um dia comum. Estava eu recebendo a minha tortura matinal da professora Célia com as minhas duas mochilas ao meu lado (uma para os materiais e outra para o tanto de chips que eu levava), quando a disciplinaria bateu à porta:

— A Rosângela está chamando o André na diretoria!

Meu coração disparou. Mas acompanhei a moça. Chegando na sala da diretora Rosângela, ela olhou em meus olhos e disse:

— André, você é um gênio! Você tem ideias que outros alunos não têm! Vamos investir na sua vida, um dia você será um grande empreendedor. Daremos todo o ensino e suporte para você alçar grandes voos!

Essa era a coisa mais lógica a se dizer, mas, infelizmente, adultos não têm a percepção e a inteligência emocional de uma criança de 8 anos.

Rosângela me recebeu aos berros alegando que eu estava extorquindo as outras crianças (como se eu soubesse o que isso significava), dizendo que diversos pais tinham ligado para a escola nos últimos dias dizendo que havia uma criança roubando o dinheiro dos filhos deles.

A diretora decretou o fechamento das operações da Big Sanduíche com a ameaça de que qualquer operação clandestina culminaria em minha expulsão do Colégio.

Não me conformava com tamanha injustiça.

Futuro Empreendedor de Sucesso

Você deve estar pensando:

“Com certeza esse gênio se tornou o dono de alguma grande empresa! Ele tem o Espírito empreendedor, com certeza é um empresário de sucesso”.

Mas não.

Hoje sou um humilde trabalhador. Isso não quer dizer que fracassei. Muitas pessoas acham que ter sucesso é somente empreender, mas não. Você deve querer ser o melhor naquilo que você faz, independente do que seja.

Após a frustração tentei tocar alguns outros projetos, mas nenhum deles chegou ao sucesso esperado.

Tentei criar uma empresa que vendia invisibilidade pintando as pessoas com uma cor que ninguém pode ver, infravermelho. Depois descobri que era inviável.

Tentei criar o encosto de mão, tipo carteiras de escola, para privadas, aumentando a produtividade das nossas idas ao banheiro.

Entre outros projetos frustrados.

Boas ideias vêm e vão e são poucos que conseguem superá-las. Espero que você consigam superar as Rosângelas que aparecerem no caminho de vocês e que, diferente da Big Sanduíche, as suas ideias sejam um grande sucesso!

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  • Gustavo

    Parabéns, André! Mesmo que sua empresa tenha sido fechada, acredito que esse artigo vai te render (no mínimo) um nobel de literatura!

    • Fabiano Elias Cancela Jr

      +1 na previsão que o livro de contos do Jerê sai até 2018!