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Autoconhecimento: divisor de águas na minha vida e na minha carreira

Importante: este texto não é motivacional, mas pode ser que te sirva de inspiração. É um relato pessoal e totalmente sem fonte teórica de especialistas. Estou compartilhando a minha experiência por achar que pode ter bons insights para ajudar quem está na mesma etapa da vida e da carreira que eu. Não tenho a pretensão de ser autoridade neste assunto, mas espero ajudar alguém! :)

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Se você me perguntasse há alguns meses o que eu tinha para dizer sobre mim mesma eu daria algumas risadas meio sem jeito, mesmo sem ser tímida e não saberia te responder. Hoje, ainda bem, sei muito bem o que esperar de mim, onde eu estou, para onde vou e o que preciso fazer para chegar lá.

Sobre a minha personalidade, deixei de ficar presa no meu signo e na frase que eu usava bastante “eu sou assim” e pronto, mas entendi que tenho uma personalidade fluida, que sou adaptável e que isso não é falta de essência, é inteligência.

Mas como eu cheguei neste ponto em que pensar e agir em relação a mim mesma tornou-se algo confortável e importante? Bem, vou te contar um pouco mais sobre minha trajetória de autoconhecimento e como isso tem impactado positivamente minha vida e minha carreira.

Quando eu entendi a importância de me conhecer melhor

Tudo começou quando eu decidi que precisava melhorar alguns aspectos da minha personalidade para não apenas ser uma melhor gestora para meu time e uma melhor profissional para a empresa em que trabalho, mas para ser, de fato, mais realizada nas minhas iniciativas.

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O gatilho para trabalhar autoconhecimento foi um feedback super duro que recebi de um dos meus líderes, me mostrando não apenas como eu estava falhando naquele momento, mas como eu estava prejudicando meu time e à empresa ao ficar presa no meu erro.

Conhecer minhas limitações foi uma parte muito importante deste processo. Mas algo que quero destacar aqui é que entender meus limites não foi, de maneira nenhuma, um fator que me travou de fazer algo ou me tornar vítima de qualquer situação. Ao entender meus pontos fracos eu soube exatamente onde eu precisava melhorar.

Ao saber o que precisava ser melhorado ficou muito mais fácil focar minha energia e meus esforços nos próximos passos para alcançar esta melhoria.

Um ponto que quero destacar, contudo, é que você não precisa ser um especialista em tudo para ser competente e bom no que você faz. Por isso, se você tem alguma dúvida sobre o que você precisa ter e saber para ter sucesso no seu trabalho comece entendendo exatamente o que é esperado e preciso para alcançá-lo.

Uma boa forma de saber o que você precisa desenvolver é conversar com seus líderes imediatos, mas também com seus pares para colher feedbacks do que é esperado de você.

Comece pela boa e velha reflexão

Pode parecer uma coisa boba, mas vou te perguntar: qual foi a última vez que você parou para refletir sobre algo que fez ou pensou?

Vivemos num mundo onde a velocidade importa, o tempo de resposta, de reação e, por isso, muitas vezes perdemos a habilidade de refletir.

Por isso, meu primeiro conselho é que você pare e pense um pouco mais em você. Para isso você precisa tirar um tempo pra você, sem ninguém, sem nenhum barulho, sem nada para atrapalhar.

Para mim, por exemplo, funciona bastante almoçar sozinha de vez em quando e usar o tempo de almoço pra conversar um pouco com meus pensamentos.

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Outra coisa que é muito valiosa e simples é anotar o que você está pensando, reler e refletir a respeito. Isso pode ser feito no fim do dia, antes de dormir, quando você organiza todos os seus pensamentos em uma folha ao lado da cama ou quando você se sentir confuso, perdido em seus pensamentos. Quando isso acontecer, organize-se, como se fosse cumprir uma tarefa.

Se você sabe que agir de alguma forma é errado, por exemplo, pois te atrapalhar de alcançar seus objetivos, sempre que agir dessa forma, pare para pensar porque você agiu desta forma, quais pensamentos estavam passando pela sua cabeça naquele momento e como você pode evitar repeti-los depois.

Basicamente, autoconhecimento resume-se a aprofundar-se dentro dos seus próprios pensamentos, entender por que eles acontecem e decidir o que você precisa melhorar e manter para alcançar seus objetivos. Anotar e reler ajuda bastante neste exercício, vai por mim! 😉

Coaching

Ter uma experiência com coaching também foi essencial para mim nesta jornada do autoconhecimento. Falo isso porque minha coach me ajudou a ter uma leitura inicial dos meus comportamentos, entendendo os motivos por trás deles.

Hoje, já sabendo os pontos mais importantes a serem desenvolvidos e onde estão minhas forças, o coaching é bem mais focado em desenvolvimento do que em autoconhecimento — claro que você precisa reavaliar suas competências para entender se está fazendo progresso, mas torna-se uma autoavaliação.

Para mim o aspecto mais valiosos do coaching foi o fato de ter um guia para fazer as perguntas certas, traçar metas e objetivos claros, além de traçar planos e checá-los com alguém me ajudando periodicamente.

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Mentoria (formal ou informal)

Aqui na Rock temos o privilégio de termos um acesso bem horizontal ao nosso CEO, Edmar Ferreira — aproveito para recomendar seguir o perfil dele no Medium e acompanhar o blog dele, que está cheio de dicas e ensinamentos práticos muito úteis no dia a dia.

Além de podermos sempre trocar ideias com ele sobre diversos aspectos da nossa carreira temos aulas semanais sobre liderança com ele que, com sua experiência nos ajuda a entender melhor onde estamos e para onde vamos. Isso também tem sido importantíssimo.

Outro ponto importante e que recomendo é que você encontre um (ou mais) mentor. Este mentor poderá ser sua fonte recorrente de feedbacks, o cara com quem você vai trocar ideias sobre suas atitudes e pensamentos e ter um ponto de apoio para não estar sozinho nessa trajetória.

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Acho importante dizer que mentoria pode ser algo formal, mas funciona muito bem também se você tomar um café toda semana com um líder, colega de outra área ou inspiração pessoal toda semana para conversar sobre o que citei acima. Vai por mim, isso faz toda a diferença!

Mapeamento de competências

Foi através da ferramenta Profiler, usada na Rock Content para mapear as competências dos profissionais que eu tive meu primeiro contato com um exercício real e consistente de autoconhecimento.

Se antes o que eu sabia sobre mim era bem no achômetro, alguns aspectos de signo e o bom e velho “sou assim”, através do mapeamento das competências pude entender que todas as minhas características têm pontos fortes e a melhorar.

Deixei de pensar que “sou assim” e passei a pensar: ok, estou agindo dessa forma, reagindo assim às situações porque minha área de competência está muito voltada para um lado e não para outro.

Quer um exemplo? Sou do tipo executora, que pega pra fazer, resolver e bota a mão na massa mesmo. Uma competência forte no meu mapeamento é a agressividade. Se eu lidasse com isso como característica poderia levar para o lado pejorativo, de ser autoritária, mas se tratar como competência entendo que é algo necessário para fazer bem meu trabalho.

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Contudo, como qualquer competência, precisa ser desenvolvida de forma equilibrada, levando em conta as características opostas, como neste exemplo a paciência e o detalhismo são opostas à agressividade. As 3 competências que citei são importantes para o meu trabalho e o que precisei foi calibrar meu foco no que preciso melhorar, pois o que já domino basta manter!

Se quiser entender um pouco mais sobre este mapeamento de competências dá uma olhada neste artigo do blog da Solides, a ferramenta que mencionei.

Autoconhecimento e liderança

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Se você está em um cargo de liderança você precisará também aprender a ouvir seus liderados. Este foi um dos maiores aprendizados para mim nos últimos meses.

Quando você ouve seu time você não apenas constrói uma relação de confiança, mas se aproxima deles, demonstrando que se importa e conquistando a lealdade deles.

Isso me leva a um outro ponto que diz respeito a se abrir com as pessoas e permitir-se demonstrar alguma fragilidade. Essa lição foi de extrema importância no quesito liderança pra mim também, pois quando você se distancia demais da rotina e das dores do seu time corre o risco de ser visto como tirado e como alguém que fica controlando tudo em cima de um pedestal. Se abrir com seu time não é o mesmo que perder a autoridade, mas é conquistá-la lado a lado com a lealdade do seu time.

Outra coisa importante sobre isso é entender qual o seu estilo de liderança e qual estilo de liderança desejado pelo seu time. Para isso você precisará, mais uma vez, trabalhar ouvindo seu time. Esse será um divisor de águas na sua forma de liderar, pois você poderá colher feedbacks muito valiosos e entender exatamente qual discurso, linguagem e forma de liderar cada um do seu time.

Mas e aí, o que fazer com esse tal de autoconhecimento?

Primeiramente é importante lembrar que você trabalha o autoconhecimento não para ficar se martirizando por não ter alguma habilidade ou competência, mas para entender seus pontos fortes e de melhoria.

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O próximo passo é escolher com sabedoria quais competências você quer desenvolver. Quanto maior sua área de competências melhor para você se adaptar a diversas situações, mas você não precisa desenvolver todas as competências de uma vez… sequer precisa desenvolver todas elas!

Você deve traçar metas claras para você e definir caminhos para alcançá-las. Uma dica que te dou é documentar tudo que você pensar, não de forma dura, formal, mas como for melhor pra você. Um diário, uma agenda, papéis soltos na bolsa, uma planilha? O que funcionar pra você deve ser sua escolha para registro. Isso será legal também para você voltar e refletir sobre como você começou esta caminhada e onde você está.

Celebre as pequenas vitórias! Se tem alguma competência que você identificou que precisava desenvolver e conseguiu aprimorar ou equilibrar com outro aspecto, vivenciando alguma situação em que pode notar isso de forma clara, celebre! Permita-se ficar feliz com suas pequenas conquistas e motivado para as próximas.

Invista (e acredite) em você

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Quando você se conhece e sabe o que te faz feliz, te dá aquela sensação boa de realização… deve investir em trabalhar desta forma! Claro que você pode se esforçar e desenvolver competências para aprender muito mais coisa do que domina, mas se você descobrir que está no caminho certo para o que você almeja ficará mais fácil priorizar seus investimentos.

Por investimentos estou falando de cursos, capacitação, conhecimentos adicionais e desenvolvimento pessoal. Vale também para o que não está relacionado ao trabalho, por exemplo, se você perceber que está pecando em equilibrar vida pessoal e profissional estará na hora de investir em um hobby, em “matar o tempo” com algo que não seja trabalho.

Da mesma forma, se você perceber que tem habilidades de liderança, inspira pessoas e é automotivado, ficará mais fácil se capacitar para ser um gestor, pois você já tem as competências, bastará desenvolvê-las — e, para isso, investir neste desenvolvimento.

Quer outro exemplo? Se você tem muitas habilidades técnicas e não tem interesse em ser gestor, não se force a se tornar um gestor. Especialize-se, busque uma carreira em Y, foque em ser especialista no que você faz de melhor. Nem todo mundo vai se dar melhor sendo líder do que sendo liderado e isso não é um problema!

Nunca pare!

Vale ressaltar que quando você se conhece, consegue desenvolver melhor a sua inteligência emocional. Além disso, quando você sabe que está no controle das suas ações, tendo um plano para melhorar os aspectos que ainda não estão indo bem e reforçar o que está muito bom você tomará decisões e agirá de forma mais inteligente. Isso é inteligência emocional!

Por isso, essa é minha dica final, que vem do meu aprendizado em relação ao autoconhecimento: nunca pare! Quando você descobrir qual exercício funciona para você, como você consegue refletir, planejar e melhorar você mesmo nunca pare de fazê-lo, pois isso vai garantir aprendizado constante e te tornar cada dia mais incrível.

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