Saindo do Lugar, com Legurmê

Saindo do Lugar, com Legurmê

Caso de empreendedorismo da Legurmê, empresa iniciada por 2 engenheiros que pode dar ótimas lições de como seguir seus sonhos e sair do lugar

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Se tem uma coisa que eu não me arrependo de ter feito UNICAMP, foi ter conhecido verdadeiros empreendedores por lá. Danilo e Rafael são dois grandes exemplos e grandes amigos que se formaram comigo em Engenharia de Computação. Tomaram rumos diferentes na vida, Danilo se aventurou no mundo das startups e Rafael no mundo corporativo por 5 anos. Mas a fome por empreenderismo uniu suas colheres de pau para fundar a Legurmê.

A Legurmê oferece produtos naturais, sem nenhum conservante ou aditivo químico, tendo uma linha de antepastos com sabores bem diferentes do tradicional italiano, como Abobrinha com Tomate e Ervas e Berinjela Agridoce. As receitas são leves e com azeite na medida certa, o que reduz muito a quantidade de calorias e gorduras, e destaca o verdadeiro sabor dos ingredientes. Os produtos ficam ótimos com pães e torradas, e dão um toque a mais em pratos do dia a dia, como saladas, massas, molhos e carnes. É muito prático: basta abrir o potinho e colocar uma colher na sua receita favorita.

Danilo, como surgiu a ideia?

Nós dois tínhamos paixão por cozinhar e sempre convidávamos amigos para jantar em casa, e numa dessas ocasiões na minha casa o Rafael se deliciou com uma receita que eu faço há anos  (era a berinjela agridoce, que hoje é um dos produtos da empresa). “Foi a melhor berinjela que comi na minha vida”, lembra Rafael. Na ocasião, brinquei sobre vendermos o produto e, uma semana depois, começamos a evoluir a ideia.

Como começaram?

Começamos em setembro de 2014 com 2 receitas e fazendo um teste com 100 pessoas. Entregamos os produtos para as pessoas dizendo que era um conhecido nosso que estava fazendo, dessa forma tivemos respostas sinceras e, como foram super positivas, decidimos continuar investindo no negócio.

No começo, enquanto estávamos apenas testando receitas, cozinhávamos em casa: adaptamos a cozinha do apto onde o Rafael morava e colocamos um forno industrial enorme na sala. Em paralelo, estudamos sobre o processo de conservação e toda a parte de regulamentação, e desenvolvemos fornecedores.

Fizemos um teste final na Feirinha Gastronômica (Butantã – SP), onde participamos por 3 domingos fazendo degustação da nossa linha de 5 antepastos e pegando feedbacks dos consumidores. Depois de mais de 3 mil torradinhas, muitos potes vendidos e vários elogios, estávamos confiantes para seguir adiante.

O próximo passo foi buscar uma cozinha industrial, que é onde cozinhamos desde março de 2015.

A experiência anterior de vocês ajudou nessa nova jornada?

Ajudou muito.

O Rafael veio da área de consultoria estratégica e mercado financeiro, então toda a parte de estruturação financeira, plano de negócios e desenvolvimento da estratégia ficaram mais fáceis.

Quanto a mim, tive muitas experiência com desenvolvimento de produtos e gestão de projetos, acelerando a criação das receitas, validações e posicionamento da empresa.

Além disso, por termos formação em Engenharia, temos uma forma sistemática de pensar e resolver os problemas que forem aparecendo pelo caminho (e foram muuuuitos hahaha).

Eu sei que vocês cozinham muito bem (que saudades das suas tapiocas…). Mas teve gente que achou que vocês piraram?

Rafael: Contei na festa de família no final do ano (2014) que estava deixando um trabalho estável, numa empresa reconhecida, para cozinhar com um amigo (Danilo). Metade deu risada e achou que era piada e a outra metade achou que eu estava surtando. Mas, ao poucos, conforme foram vendo que o negócio estava bem estruturado e que era algo sério, todos me apoiaram. Até ganhei meu primeiro chapéu de cozinheiro no amigo secreto 🙂

Danilo: Tirando alguns amigos muito próximos que me apoiaram desde o início, esperei ter toda a linha de produtos desenvolvida e estar com o negócio bem estruturado para contar para minha família. Dessa forma a aceitação foi bem rápida  e hoje me apoiam tanto que vendem o produto na cidade onde moram.

Vocês já chegaram dando voadora, investindo pesado na própria marca. Qual a importância de um bom marketing logo no começo?

Sabíamos que nosso produto era muito bom, dadas as validações que fizemos, e por sermos uma marca nova precisávamos comunicar isso aos potenciais consumidores. A partir de estudos e conversas com lojistas constatamos que a embalagem é um dos principais fatores na decisão de compra e que valia a pena investir nisso.

Além disso, estávamos entrando num mercado muito competitivo (alimentação saudável), que cresce 50% ao ano no Brasil e atrai muitas indústrias já consolidadas.

Dessa forma, diferenciar nosso produto foi, e ainda é, fundamental. O desenvolvimento da marca e conteúdo para definir nosso posicionamento foi o maior investimento que fizemos até agora.

Criamos uma marca moderna, com um nome contextual (Legurmê: Legume + gourmet), investimos em fotos profissionais e numa estratégia de conteúdo que mostra como nossos antepastos são práticos e dão um toque a mais em diversos pratos do dia a dia (postamos receitas em nosso site, facebook e instagram).

E como estão indo os negócios?

Estão indo muito bem. Até maio estávamos focados em adaptar nossa produção para uma escala industrial e resolver a parte burocrática (licensas junto a prefeitura e anvisa, parte fiscal, etc).

Agora em junho utilizamos a feira Natural Tech, que é uma feira voltada para o mercado de alimentação saudável, para fazer o lançamento da nossa marca e de nossos produtos aos lojistas. Fizemos muitos contatos e já estamos distribuindo para lojas na região sul e sudeste, principalmente nos estados de São Paulo e Paraná.

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Qual o pior desafio que vocês enfrentaram?

Foram dois:

1) Por não sermos da área de alimentos tivemos que estudar muito sobre o processo de conservação. Conversamos com laboratórios especializados, professores de universidades, profissionais da área, pesquisamos bastante sobre o tema e fizemos dezenas de testes. Recebemos muitas indicações de conservantes ao longo desse processo, mas mantivemos a essência da marca mesmo tendo que abandonar algumas receitas :/ #chatiado

2) Ter uma indústria de alimentos é muito diferente de cozinhar em casa para amigos. Temos que ter processos para tudo, de modo a garantir a qualidade dos produtos e padronizar nossas receitas (isso pode parecer fácil, mas dá um baaaaita trabalho acertar a quantidade que no início colocamos a olho; sem falar que conforme íamos recebendo feedbacks mexíamos bastante nas receitas).

E qual a melhor coisa que aconteceu?

Como queremos postergar ao máximo o investimento em uma cozinha até sentirmos o mercado e termos uma ideia do tamanho da estrutura que iremos precisar, ter encontrado um espaço pronto (HUB Food Service) e que pagamos mensalmente foi perfeito. Com isso também conseguimos antecipar o lançamento do produto no mercado em 4 meses.

Outro fato muito bacana aconteceu na Natural Tech. A Beatriz chegou no nosso stand super feliz, dizendo que adora nossos produtos e que come um pote por dia, e comprou uma caixa (24 potes) para usar em suas receitas.

Confessem vocês ficam beliscando enquanto trabalham. Vocês engordaram muito desde então?

hahahaha Olha, um dia de produção é muito corrido e geralmente almoçamos depois das 14h, sendo que começamos a cozinhar às 7h. E embora o cheiro seja delicioso, mal da tempo de ficar beliscando. Desde que começamos a cozinhar emagrecemos um pouco, isso porque já somos magros 😛

Que dica vocês dariam para quem quer entrar no mercado?

Geralmente quem quer entrar no mercado de alimentação já cozinha em casa e tem uma ou mais receitas que deseja vender. É importante descobrir como o produto que você faz em casa se transforma em um produto viável (por exemplo, transformar a receita de berinjela que fazíamos em casa em um potinho com validade de 6 meses).

Outro ponto crucial é conversar com muitas pessoas, testar seu produto e entender o mercado. Não saia fazendo investimento desnecessários antes de validar sua ideia.

E faça academia e fortaleça suas pernas, porque passar um dia de pé na cozinha correndo pra lá e pra cá é bem cansativo! hahaha

E onde podemos comprar essa delícia?

Os pontos de venda estão em nosso site 🙂 www.legurme.com.br