Modelo de plano de negócios para empresas na internet

Ao começar uma empresa, uma das primeiras coisas que você deve estruturar é o plano de negócios.

Essa ferramenta se tornou praticamente indispensável para qualquer tipo de organização – inclusive os negócios digitais.

O problema é que, ao fazer pesquisas em sites ou até mesmo consultar livros sobre o assunto, você dificilmente encontrará um modelo de plano de negócios para empresas na internet.

Isso acontece porque, apesar de avançarem em uma velocidade impressionante, os empreendimentos baseados na web ainda são novidade para muita gente.

Pensando nisso, elaboramos este post para dar aquele incentivo extra que faltava para os empreendedores digitais.

Aqui mesmo no Saia do Lugar já falamos sobre o assunto, mas esta é a primeira vez que trazemos um post completo com informações específicas para a internet.

Portanto, aproveite o conteúdo e comece hoje mesmo o seu planejamento!

O que é um plano de negócios?

Antes de mais nada, vale destacar que o plano de negócios não é tão complicado quanto a maioria das pessoas pensa. Na verdade, elaborá-lo pode ser bem mais simples do que parece.

Dito isso, o plano de negócios é um documento que tem o objetivo de planejar um empreendimento, definindo as estratégias a serem utilizadas para o futuro da empresa.

Em outras palavras, é como se fosse um guia para a gestão. E isso vale não apenas para empresas que estão começando, mas também para as que já estão no mercado há mais tempo.

Para que serve o plano de negócios?

Em primeiro lugar, serve para guiar os sócios e gestores de uma empresa nas tomadas de decisões estratégicas, estabelecendo os rumos do negócio.

Contudo, o plano também é útil para quem está do lado de fora. Sabe por quê?

Esse é o principal meio usado por investidores para decidir se vale a pena apostar em uma ideia ou em uma empresa.

Muitas startups, por exemplo, utilizam planos de negócios para atrair investidores e, só aí, colocar a ideia para funcionar.

Uma terceira função é testar a viabilidade do negócio. Muitas vezes, o empreendedor não tem certeza se a empresa irá se sustentar e dar lucro.

Para ajudar nesse ponto, o plano de negócios agrega uma série de informações que serão analisadas para apontar as chances de sucesso.

Por fim, o plano de negócios também transmite credibilidade.

Quando você tem um planejamento estruturado para a sua empresa, fica mais fácil criar relações de confiança com parceiros e fornecedores.

Afinal, todo mundo prefere trabalhar com uma organização que sabe onde está pisando, conhecendo a si mesma e ao mercado.

Montando o seu próprio modelo de plano de negócios

Não há uma regra fixa para desenvolver um plano de negócios. É natural que, à medida em que você avança, vá descobrindo o que se adapta melhor ao seu caso.

Assim, você pode montar seu próprio modelo, de acordo com o perfil e as necessidades da sua empresa.

De todo modo, existe uma estrutura básica que serve como ponto de partida para a criação do seu modelo de plano de negócios.

Aqui, utilizamos como base a anatomia sugerida pelo Sebrae – porém, com exemplos e adaptações para o mercado digital. Confira a seguir.

1. Sumário Executivo

Este primeiro item é um resumo do seu plano de negócios.

Quando o documento estiver pronto, ele deverá ser a primeira parte do plano, justamente por conter um resumo do que estará por vir.

Entretanto, na elaboração essa será a última etapa, ok? Só faça o Sumário Executivo após concluir o resto.

Aqui, você deverá incluir pontos como: dados dos sócios (incluindo experiências profissionais e as atribuições que cada um terá na sociedade); missão da empresa; setores de atividade (CNAEs), forma jurídica escolhida para empresa; regime tributário no qual a empresa será enquadrada; capital social e fonte de recursos.

Além dessas informações, também é interessante incluir no Sumário os principais produtos e serviços, quem serão seus clientes, onde a empresa estará localizada (se terá sede física ou não, bem como se terá estoque), qual será o faturamento mensal, lucro esperado e prazo esperado para obter retorno do capital.

2. Mercado e público-alvo

Esta etapa é dividida em três aspectos: público-alvo, concorrência e fornecedores.

O primeiro passo é identificar as características gerais dos clientes, como: faixa etária, gênero, se possuem família ou não, profissão, renda mensal, escolaridade, cidade, etc.

O mesmo vale se você vai vender para empresas (pessoas jurídicas).

Identifique o perfil dos seus clientes, como: ramo de atuação, que tipo de produtos e serviços oferecem, quantos empregados possuem, quanto podem pagar, etc.

Em seguida, busque entender os interesses dos consumidores, bem como seu comportamento de consumo.

Quanto mais informações forem levantadas, melhor. Para isso, você pode utilizar a internet para pesquisas que tragam dados e informações estatísticas.

A segunda parte da análise de mercado é verificar a concorrência.

Entenda quais são os principais players, que tipo de produto e serviços eles comercializam, como cobram, condições de pagamento, tamanho da equipe, entre outros.

A terceira etapa é fazer um estudo dos fornecedores. Saiba quem irá fornecer mercadorias ou matéria-prima para você.

Se possível, monte uma tabela com uma relação de fornecedores, pois isso facilitará seu trabalho mais adiante.

Dica de empreendedor digital: como estamos falando de empresas na internet, é muito importante que você compreenda os hábitos de navegação da sua persona.

Ela acessa a internet no desktop ou mobile? Quais redes sociais são as preferidas? Ela tem costume de comprar pela internet ou ainda tem medo? Que tipos de produtos ela já comprou (físicos, infoprodutos, etc.)?

O mesmo vale para a concorrência: quais plataformas e redes sociais seus competidores usam? Blogs, Facebook, Instagram, Youtube? Qual é o modelo de negócio deles?

Na parte dos fornecedores, pense quem irá contribuir para fazer sua empresa acontecer.

Não ignore esse item apenas porque não vai comprar matéria-prima ou mercadorias, por exemplo.

Talvez você precise, digamos, contratar freelancers para produzir conteúdo.

3. Plano de marketing

Nesta parte você vai trabalhar os 4P’s da estratégia de marketing: produto, preço, promoção e praça (distribuição).

Comece descrevendo seus produtos e serviços da forma mais detalhada possível, incluindo diferenciais e garantias.

Depois, é hora de especificar o preço. Descubra quanto o consumidor está disposto a pagar. Compare também com o preço dos concorrentes.

Em seguida, liste as estratégias promocionais que serão a base da sua divulgação.

Alguns exemplos:

Por fim, pense nos seus canais de distribuição. Se você estiver montando um e-commerce, como os produtos serão entregues?

Caso trabalhe com produtos digitais, como será o acesso a eles (download, área de membros, etc.)?

4. Plano operacional

A ideia do Plano Operacional é planejar a estrutura da empresa (em termos físicos, operacionais e de pessoal).

Caso sua intenção seja trabalhar em uma sede física, pode pensar na distribuição da equipe e dos recursos no espaço disponível.

Independentemente disso, é importante estimar a capacidade produtiva e a equipe necessária.

Com a equipe inicial, quantos cientes você será capaz de atender mensalmente?

Outro ponto que entra aqui são os processos. É interessante organizar um fluxo prevendo um roteiro de trabalho para o cotidiano. Por exemplo, em uma agência de marketing digital:

Atendimento => Planejamento => Mídia e Criação => Produção e Desenvolvimento

5. Plano Financeiro

Por um lado, esta é provavelmente a etapa mais complexa da elaboração do seu modelo de plano de negócios.

Por outro, a intenção do Plano Financeiro é simples: garantir a viabilidade do negócio.

O primeiro objetivo é estimar todos os **investimentos **necessários.

Para isso você deve levar em conta pontos como: investimentos fixos (computadores, softwares, etc.), capital de giro (muito importante para e-commerces que trabalham com produtos físicos) e investimentos pré-operacionais (compra de domínio, plataformas, etc.).

Em seguida, você deve estimar o faturamento mensal. E, a partir daí, os custos de mercadoria, custos de comercialização (ex.: taxas pagas para o marketplace), custos com funcionários, entre outros.

Após isso, cruze as informações procurando avaliar a viabilidade do empreendimento.

Qual o custo de cada venda? Por quanto tempo a empresa pode se sustentar sem lucrar?

Quantas vendas você terá que fazer por mês para alcançar o equilíbrio (empatar as contas)? Em quanto tempo você poderá recuperar o investimento?

6. Construção de cenários

O objetivo da construção de cenários é a prevenção. Nesta parte você deverá simular diversas situações para o futuro da organização, incluindo os valores financeiros.

Considere tanto cenários pessimistas – em que a empresa vende menos e gasta mais do que o esperado – como cenários otimistas – em que as metas são atingidas e as despesas diminuem.

Procure prever situações como:

  • Poucas vendas nos primeiros meses de operação;

  • Baixos retornos das estratégias de marketing no curto prazo;

  • Atraso no início das atividades ou nos lançamentos de produtos;

  • Reações da concorrência, como campanhas promocionais e redução de preços;

  • Necessidade de investir mais do que o planejado.

A partir dessas previsões, estabeleça medidas para prevenir os problemas ou mesmo planos de ação (planos B) para reverter as possíveis situações. Quanto mais simulações você fizer, melhor preparado estará.

7. Avaliação estratégica

Você provavelmente já ouviu falar da matriz SWOT.

Ela é instrumento de análise de empresas que detecta os pontos fortes*(Strenghts), fraquezas(Weaknesses), oportunidades(Opportunities)* e **ameaças **(Threats) existentes.

Na avaliação estratégica, você poderá usar a matriz SWOT para melhorar os aspectos internos da organização, explorando suas melhores características (ex.: atendimento, equipe, qualidade do serviço) e corrigindo possíveis defeitos (ex.: falta de capital, pouca qualificação técnica).

Essa análise também será útil para se preparar às circunstâncias do mercado.

Suas ameaças podem englobar fatores como: escassez de fornecedores, impostos elevados e alta concorrência.

Já as oportunidades podem incluir pontos como: parcerias, aumento das compras online e novas linhas de crédito.

8. Avaliação do Plano de Negócios

O grande propósito de um plano de negócios é ajudar o empreendedor a compreender se vale a pena abrir, manter ou expandir um negócio.

Por isso, essa é a hora de rever as informações levantadas e refletir. Ninguém melhor do que você e seus sócios para avaliarem essa difícil questão.

Independentemente da resposta, saiba que o mercado muda constantemente e as empresas também estão abertas a mudanças.

Adapte o que for necessário no seu plano, reveja os pontos críticos e consulte constantemente este seu mapa de percurso.

Lembre-se que o plano de negócios não é um documento definitivo.

Até por isso incentivamos que você crie seu próprio modelo, de acordo com as necessidades do seu empreendimento digital. Para isso, não deixe de conferir os materiais que disponibilizamos na sequência.

Exemplos de modelos de planos de negócios

Abaixo listamos alguns recursos que você pode consultar para elaborar o seu modelo de plano de negócios.

Trouxemos tanto modelos para você se inspirar, como materiais sobre planejamento de empresas na internet. Aproveite o que existe de melhor em cada um dos grupos para desenvolver sua própria base!

Modelos de planos de negócios em geral

Apostila de plano de negócios do Sebrae – Produzindo.net

Modelo de plano de negócios no Excel – Portal Plano de Negócio

Software profissional em inglês para desenvolvimento de planos de negócio (versão paga) – BPlans

Modelos de planejamento para negócios digitais

Ebook “Como iniciar e registrar sua startup” – Syhus

Ebook “Gestão Financeira para modelos de negócio web” – Volume 1 (SaaS e Ecommerce) – Syhus e Ideation Brasil

Ebook “Gestão Financeira para modelos de negócio web” – Volume 2 (Marketplace e Clubes de Assinatura) – Syhus e Ideation Brasil

Ebook “Gestão Financeira para modelos de negócio web” – Volume 3 (Crowdfunding e Portais de Conteúdo) – Syhus e Ideation Brasil

Dicas extras para fazer um bom modelo de plano de negócios

Por mais que pareça complicado cobrir todos os pontos abordados, tenha em mente que o plano de negócios não precisa nascer pronto.

Este documento representa um planejamento em constante evolução. Ou seja, você pode começar simplesmente respondendo aos tópicos listados neste post de forma breve.

Com o tempo, vá aprofundando suas pesquisas e detalhando o seu plano, de forma que ele fique cada vez mais completo.

O dia a dia de qualquer empresa é feito de ajustes e aprimoramentos para que se possa alcançar as metas propostas.

Com o modelo de plano de negócios é a mesma coisa: você avançará aos poucos até que seu documento chegue a um estágio mais avançado.

Conclusão

Gostou das dicas? Agora você já tem alguns modelos de plano de negócios à sua disposição.

Mas mais do que isso, acreditamos que você possui informações suficientes para elaborar o seu próprio modelo, adicionando e aprimorando os pontos que julgar necessários.

Sem dúvida, esse documento pode fazer a diferença na hora de levar o seu empreendimento digital para o próximo nível!

Depois de montar o seu plano de negócios, é hora de colocar as ideias em prática e fazer acontecer.** Para isso, veja nosso post sobre Os 4 elementos indispensáveis no começo de qualquer empresa.**

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