Marissa Mayer: o mundo é o mesmo para mulheres na tecnologia?

Nos últimos anos têm se falado muito sobre a importância da representação feminina no mercado de trabalho. Áreas como moda, cultura, saúde e design são notórias pelo alto número de mulheres. **Mas a sua presença em espaços como a tecnologia, ainda são ínfimas e geram desconfiança. **Infelizmente!

Quando pensamos em gigantes do setor, como Google e Microsoft, os primeiros representantes que nos vêm à cabeça são nomes como Bill Gates, Paul Allen, Sergey Brin e Larry Page. Mas quantas mulheres no comando de startups e empresas de tecnologia somos capazes de nomear?

Pois elas existem. E têm feito um trabalho admirável. Um dos nomes mais relevantes é o de Marissa Mayer, cientista de computação graduada com honras em Stanford e uma das CEOs mais admiradas do Vale do Silício. No post a seguir, resumimos um pouco sobre o que a sua carreira pode ensinar a respeito do lugar da mulher na tecnologia. Continue a leitura!

“Sair da linha” é necessário

Ao sair do Ensino Médio, Marissa Mayer se candidatou a dez universidades e foi aceita em todas elas. Sua escolha acabou sendo por Stanford, na qual esperava se formar em Medicina. No entanto, após uma aula introdutória de Ciência da Computação decidiu mudar totalmente o curso da sua carreira.

Ao concluir o curso, já tinha 12 propostas de emprego e planejava trabalhar como consultora administrativa, mas acabou indo para o Google — que ainda era uma pequena startup na época — porque acreditava que poderia aprender mais.

É impossível prever qual teria sido o futuro da cientista se ela tivesse seguido o seu plano original, mas na área de tecnologia ela veio a se tornar uma das líderes mais respeitadas dos Estados Unidos. Até mesmo a sua ida para o Yahoo!, em 2012, foi uma saída da sua zona de conforto de uma empresa em que já tinha chegado ao topo.

E disso tudo, a lição que fica para nós é que se a sua carreira não vai do jeito que se espera, “sair da linha” é necessário. O exemplo de Mayer mostra que atitudes iguais geram resultados iguais. Muitas vezes para alcançar sucesso ou satisfação profissional é fundamental fazer mudanças, reescrever planos e mudar perspectivas. E isso vale para qualquer gênero e profissão.

É possível planejar o seu crescimento

Mayer ingressou no Google trabalhando no setor de interface do usuário, mas em pouco tempo se tornou responsável pelo comando dos seus principais produtos. Incluindo a própria ferramenta de pesquisa da empresa. De acordo com ela, nenhuma de suas promoções aconteceu ao acaso, e sim com base em planejamento.

Determinar com clareza o seu objetivo e listar as atitudes determinantes para conseguí-lo é o principal caminho. “Se eu quero ser uma diretora de gerenciamento de produtos, o que posso fazer? O que será necessário?” foram perguntas feitas pela cientista para chegar a um cargo melhor. E a partir daí ela correu atrás para cumprir os requisitos necessários.

Inspiração pode vir de qualquer lugar

No mundo da tecnologia é muito comum nos inspirarmos nos grandes CEOs e transformá-los em exemplos a serem seguidos. Isso é algo bom, mas é importante não esquecer que inspiração pode vir de qualquer lugar, especialmente das pessoas com as quais convivemos.

Para Marissa Mayer:

“Bons mentores são uma coleção de pessoas que dão as principais informações e conselhos para moldar a nossa carreira”.

E nesse grupo se inserem amigos, parentes e colegas de trabalho. Essas foram as maiores inspirações da cientista de computação. Para ela é mais natural se abrir e receber orientações de pessoas que ocupam um espaço similar ou que estão na mesma carreira que você, do que se inspirar apenas naquelas que você nem conhece.

As críticas serão inevitáveis. O que importa é o que você fará com elas

**A trajetória de Mayer no Yahoo! foi, e ainda é, duramente criticada. **Mesmo tendo assumido a empresa já em declínio, as quebras de segurança em contas de usuários e a compra de startups que não foram lucrativas colocaram a CEO na linha de fogo dos empregados, dos sócios, da mídia e do público.

O seu principal conselho para lidar com as críticas é: aceite-as. Boa parte delas possui uma porcentagem de verdade, que pode ser de 1% ou de 100%. Ignorá-las ou se deixar abater é um erro. O mais importante é se concentrar no que é possível fazer com elas, e a partir daí buscar as melhorias necessárias.

Enxergar as entrelinhas é importante

Muitos especialistas de mercado creditam os problemas que Mayer teve no Yahoo! à uma falta de visão estratégica sobre a empresa. Como CEO, assim que assumiu o cargo, ela focou em tentar estabelecer o que já foi um dos maiores nomes da tecnologia como uma empresa de mídia, gastando bilhões em plataformas de redes sociais que não tiveram o alcance esperado, a exemplo do Tumblr e do Polyvore.

**Quando se trata do mercado tecnológico é comum tentar usar a inovação como o remédio para todos os problemas. **Mas muitas vezes, antes de usá-la é preciso fazer mudanças estruturais, financeiras e de mão de obra.

Antes de tomar decisões e sair investindo em tudo o que é “promissor” no mercado, os profissionais precisam ler as entrelinhas e elaborar uma estratégia dentro da realidade da sua empresa. Se não, correm o risco de falhar. E falhar feio.

Ainda existe uma política de “dois pesos e duas medidas” no mercado

Uma mulher conhecida pela mudança positiva promovida na cultura interna das empresas em que trabalhou, nome à frente do desenvolvimento de alguns dos maiores produtos de tecnologia da história — como o Gmail e o Google Maps —, e que ainda está no auge da carreira não é bem representada pela mídia.

Em uma rápida busca online pelo nome “Marissa Mayer” o usuário vai encontrar boa parte das matérias jornalísticas com o teor de crítica à cientista. “Falta de simpatia” e “declínio” são alguns dos termos presentes nesses artigos.

Até mesmo a descrição do livro “Marissa Mayer and the Fight to Save Yahoo!!” (Marissa Mayer e a sua luta para salvar o Yahoo!)”, nomeia a ascensão da sua carreira como “controversa” e o seu trabalho para fazer o Yahoo! crescer como “devastador” para a empresa (que, vale lembrar, já estava em crise).

E o resto dos CEOs?

Algo que chama a atenção é que embora CEOs do sexo masculino falhem o tempo todo, as mulheres costumam receber mais atenção quando escorregam. Um exemplo recente é o Facebook.

Roubo de ideias, quebra de privacidade dos usuários, “fake news”, e uma possível influência na vitória de Trump nas eleições são alguns dos escândalos que envolvem a rede social, desde a sua criação. No entanto, todas essas crises são associadas publicamente à falhas de segurança, “bugs” ou problemas internos. E quase nunca há uma questionamento sobre a capacidade de liderança do seu criador, Mark Zuckerberg.

Esse é apenas um exemplo de que ao se tratar de liderança feminina na tecnologia ainda há uma política de “dois pesos e duas medidas” em que as mulheres ficam na parte inferior da balança. Mas a trajetória de Mayer mostra que mesmo diante dos empecilhos, mulheres são responsáveis por impactar positivamente à tecnologia e criar um legado capaz de mudar vidas no mundo inteiro.

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