Como Ana Bavon se tornou um dos grandes nomes do empreendedorismo

Descubra como a jornada empreendedora pode surgir até mesmo das profissões mais estáveis e transformar a realidade dos negócios brasileiros.

A minha jornada

Eu tinha 37 anos e uma carreira jurídica ascendente, mas que caminhava diametralmente em oposição ao que eu desejava fazer com o meu conhecimento adquirido ao longo de mais de 15 anos. A insatisfação se tornou palpável quando uma estafa atravessou meu caminho, quase

abraçada ao burnout veio a necessidade de repensar o caminho que eu estava percorrendo, e foi esse o ponto de partida.

A transição: de gestora jurídica a empreendedora

Como transacionar de carreira de maneira relativamente tranquila? O Google nunca me respondeu. com exceção dos processos de coachingque se dedicavam a responder essa pergunta em 10 sessões, quase nada era realmente focado.

Peguei então meus anos de terapia que foram essenciais para o entendimento das minhas habilidades e deficiências e lá fui eu com a cara e a coragem, empreender. Conversas com o marido e muita conta na ponta do lápis.

A única certeza que eu tinha era que queria empreender para o público feminino, mas como e onde? Lá fui eu fazer meu laboratório: um grupo no Facebook destinado a entender a complexidade da rotina de quem empreendia por necessidade ou por opção, mas que navegava num mar de dúvidas.

Em pouco tempo esse grupo tinha 8 mil mulheres trocando informação, serviços e experiências. Claro que um grupo diverso, aberto para o Brasil inteiro e sem um objetivo bem definido daria um baita trabalho que eu desconhecia.

Foi por isso que em maio de 2017 o grupo foi arquivado. Do contrário eu não conseguiria fazer absolutamente nada de concreto, a não ser mediar um grupo no Facebook.

Embora exaustivo, meu “laboratório” me deu muita informação importantíssima sobre meu público alvo e com base nele foi que criei a primeira versão da Feminaria.

Fase 1: o coworking exclusivamente feminino e as consultorias colaborativas

Abrimos em setembro de 2016, paralelamente ao trabalho de consultorias, e nosso objetivo era que a casa funcionasse como um espaço compartilhado de trabalho para as clientes em desenvolvimento.

Hoje o coworking não existe mais, e posso citar dois motivos para isso ter acontecido:** um deles é que 80% das nossas clientes são mães empreendedoras cujo tempo é escasso.**

Portanto trabalhar a partir de suas casas é o que lhes dá maior retorno (emocional e financeiro). O segundo motivo é que quase 70% das nossas clientes trabalham com produtos e não com serviços – portanto, o espaço compartilhado de trabalho foi por água abaixo, o que me empurrou para a virtualização da empresa, o que nos possibilitou ser uma empresa digital que atende no Brasil inteiro.

A criação do coworking foi o que eu considero o maior erro, e foi ao chão minha ideologia sonhadora de ter um espaço colaborativo. Nem sempre estamos prontas para esse desafio, eu não estava.

Fase 2: o meu desafio de mulher empreendedora

Como fazer dinheiro e ao mesmo tempo impactar de maneira positiva uma parcela da sociedade? Primeiro a gente aprende a endurecer um pouco nossa visão e olhando para o que realmente entrega valor ao meu público alvo. A partir daí fui refazer a Feminaria.

Desenvolvi nossa metodologia e todos os programas. Além disso, passei a recepcionar cada cliente nova fazendo a reunião de alinhamento e constatação.

Planejo o cronograma de cada uma delas, baseado nas urgências e maiores necessidades, defino toda a execução e supervisiono todas as etapas. Também acompanho as reuniões de planejamento até que a equipe esteja alinhada e segura dos passos seguintes.

Não tenho sonho. Aqui é mão na massa para mantê-lo vivo e bonito no futuro. O maior desafio foi desenhar nosso modelo de negócio e, depois, descobrir como comunicá-lo de maneira clara. A falta de apoio e incentivo para empreender numa área tão complexa é que eu encontro diariamente.

Aprendi muito sobre nosso modelo e sobre mim durante esses quase 2 anos, o que fez com que deixássemos de realizar eventos de networking e fechássemos o coworking, por exemplo. Entender que é preciso abrir mão de alguns desejos é dolorido e libertador ao mesmo tempo.

A gente pode redirecionar a energia para aquilo que está dando certo e colher as alegrias vindas a partir daí.

Se eu pudesse voltar no tempo teria investido mais estrategicamente o capital destinado à criação da empresa. Além disso, teria virtualizado algumas coisas há mais tempo, ao invés de investir tanto no espaço físico. Com certeza teria feito enorme diferença.

A vida real sem glamour mas diariamente gratificante

Empreender não tem glamour nenhum. Pelo contrário, o dia a dia e a hora do “vamos ver” é você e quem está ao seu lado. No meu caso, meu marido que desde agosto se juntou a mim na gestão da Feminaria.

Conhecer o meu público de perto e suas necessidades reais, atender às suas demandas reais, ao invés de criar um produto baseado em hipóteses. O que eu fiz foi entrar no universo empreendedor feminino e criar o produto a partir das demandas delas.

São minhas clientes que me trazem a inspiração para tudo que faço, e se tem uma opinião que importa — é só a delas. Portanto, se tem uma coisa que eu aprendi é que antes de ajudar qualquer pessoa que seja, ajude primeiro a si mesma.

Percorra a sua estrada até que você esteja bem posicionada o suficiente para que possa daí sim ajudar alguém de forma efetiva. Aprendi a duras penas que meu pessimismo é meu maior aliado quando se trata de planejamento.

É preciso considerar tudo o que pode dar errado, sempre imaginando o pior cenário. Isso porque para uma mulher empreendedora considero que a habilidade que será mais utilizada é sua capacidade de gerir seu emocional, porque as frustrações não são poucas.

Meu plano é que a Feminaria seja o nome que a empreendedora lembra quando pensa em buscar ajuda profissional quando pensa em empreender.

Independentemente de onde ela esteja e o que ela pretenda fazer, posso garantir que paixão, disciplina e ação não me faltam. Todo o resto é trabalho duro e planejamento.

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