Entrevista: Como lidar com o cliente que não quer pagar pelo serviço

[![Di Vasca, o herói dos prestadores de serviço](http://files.saiadolugar.com.br/uploads/2011/08/img_luis.gif "img_luis")](http://files.saiadolugar.com.br/dia-a-dia-do-empreendedor/entrevista-como-lidar-com-o-cliente-que-nao-quer-pagar-pelo-servico/attachment/img_luis/)Di Vasca, o herói dos prestadores de serviço
Considerando o sucesso da tirinha [A dura realidade de quem presta serviços](http://saiadolugar.com.br/2010/10/13/a-dura-realidade-de-quem-presta-servicos/), imagino que muitos dos nossos leitores sofrem com os pedidos de pessoas que querem seu serviço, mas não estão dispostas a pagar por isso, como se o prestador do serviço não tivesse contas a pagar.

Se você também está nesse barco, tenho uma ótima notícia: surgiu um paladino para nos salvar!

Dono de uma ironia e sagacidade de dar inveja, Di Vasca é um ilustrador que decidiu publicar e-mails trocados com pessoas que querem que ele trabalhe de graça.

Apesar da minha história favorita ser a do cara que queria pagar em divulgação, já li o blog inteiro e recomendo demais que você faça o mesmo: http://divasca.blogspot.com/

Confira abaixo a entrevista.

No seu blog, vemos que você recebe muitos e-mails de pessoas que querem serviços de graça, prometendo visibilidade. No seu início de carreira, você chegou a fazer trabalhos de graça ou sempre fez questão de cobrar pela sua hora?
Fiz sim. Já fui inexperiente no começo de carreira e realmente acreditei nessas conversas.

Acreditei no nome fantástico e na projeção do meu trabalho na realização de um super portfólio, mas depois vi que isso era uma mentira e meu trabalho só começou a crescer efetivamente quando eu mesmo comecei a me respeitar e passei a cobrar por ele.

Já aconteceu de alguém te pedir um trabalho de graça e depois acabar pagando ou uma vez “sem noção”, sempre “sem noção”?
Já aconteceu de alguém entrar em contato comigo e depois entender com minhas respostas que eu não entraria no “papo-furado”, reconhecer, pedir desculpas e acabamos fechando um trabalho. Mas tendo a acreditar que uma vez “sem noção”, sempre “sem noção”.

Considerando que você não faz fotossíntese, imagino que você tenha renda vinda de clientes que valorizam o seu trabalho. Como você faz para conseguir esses clientes que estão dispostos a pagar pelo serviço?
Minha renda maior é proveniente da empresa na qual sou escravo e garanto que os clientes dispostos a pagar pelo serviço não eram muitos.

Mas quem disse que eu não faço fotossíntese? Pra sobreviver de Arte no Brasil é necessário que se tenha cloroplastos.

Você tem medo do estilo irônico do seu blog afastar clientes em potencial ou ele é justamente uma estratégia para filtrar melhor os contatos que chegam?
Não tenho medo de forma alguma, mas te digo que é certeza de que filtrou.

Quem conhece e entende o blog, percebe que minha postura é simples: eu não respeito quem não me respeita. Eu não ajo profissionalmente apenas com quem não me trata como tal. Eu negocio sim, eu faço descontos sim, tudo o que um profissional faz no seu dia a dia, mas unicamente com quem mantém o nível profissional do processo.

Qual sua dica para quem está começando a prestar serviços e ainda não se sente seguro para cobrar pelo seu trabalho?
Eu digo que pode sentir-se seguro. Se você não valorizar o próprio trabalho ninguém mais valorizará por você.

As pessoas não pensam duas vezes antes de passar a perna na gente. Se virem uma situação que podem tirar vantagem, vão tirar até o último segundo.

Cobrar pelo seu trabalho não é um crime, muito menos um mérito de quem já trabalhou muito tempo de graça. O ilustrador tem que entender que você não precisa ficar trabalhando gratuitamente para picaretas até atingir um “nível” profissional de experência e talento que te permite finalmente receber um troféu escrito “agora posso cobrar”.

Não! É um trabalho.

É um trabalho que exige um talento, um potencial, e muito empenho da parte da pessoa e ela tem que ser valorizada sim! E muito! Evidentemente, justamente remunerado.

Quero mostrar que não existe esse negócio de “vai te dar nome” ou “O pessoal da editora X ou do grande jornal Y vai ver o seu trabalho e podem te chamar pra uns frilas”.

Isso simplesmente NÃO EXISTE e precisa urgentemente ser falado pra ninguém mais cair nessa conversa.

Nota do editor: Mais uma vez, recomendo demais a leitura das hilárias histórias de Di Vasca. Veja mais aqui.

Abraços,
Millor Machado (sofrendo para pagar as contas com meus serviços)

P.S.: Minha troca de e-mails com Di Vasca foi extremamente tranquila. É só não ser “folgado” que além de excelente ilustrador, o cara também é muito gente boa!

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