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O que é preciso entender sobre economia para uma boa gestão de negócio?

O cenário econômico brasileiro está afetando as empresas como um todo.

O cenário econômico brasileiro está afetando as empresas como um todo.

A situação de crise na economia, ao mesmo tempo em que impacta de forma negativa nas organizações, está incentivando o empreendedorismo, já que esta é uma forma de os desempregados conquistarem uma renda.

Os dados do IBGE e da Serasa Experian confirmam essas informações. O nível de desemprego no país aumentou 11,2% no trimestre finalizado em maio de 2016, sendo que esse resultado é superior aos 10,2% determinados em fevereiro e sendo 8,1% mais alto que o percentual encontrado em maio de 2015.

Por sua vez, o número de novas empresas até maio de 2016 aumentou 3,5% se comparado aos primeiros cinco meses de 2015.

Isso significa que, enquanto uns enxergam esse momento como sendo exclusivamente negativo, outros veem oportunidades, uma forma de investir agora para receber os louros no futuro.

No entanto, é importante saber que, para ter sucesso com o seu negócio, é preciso entender os principais conceitos econômicos.

Dessa forma, você está preparado para enfrentar a crise e sobreviver. Mas será que você já conhece tudo o que é necessário para uma boa gestão do negócio?

A importância do empreendedorismo

Você já sabe que todas as formas de trabalho são importantes para um país, inclusive o empreendedorismo.

No entanto, para o Brasil, esse novo cenário que se apresenta é ainda mais relevante, porque, até poucos anos atrás, havia poucas empresas e pessoas dispostas a passar pelos riscos de abrir um negócio próprio.

Com o empreendedorismo, o Produto Interno Bruto (PIB) dos países tende a aumentar, assim como a geração de emprego e de riqueza e uma melhor distribuição de renda.

Ou seja, quando uma pessoa decide começar o seu negócio, mesmo que seja bem pequeno (como é o caso do Microempreendedor Individual – MEI), ele está exercendo uma função, trazendo impactos positivos em diversos campos econômicos.

É importante lembrar também de que o cenário para o empreendedorismo melhorou nos últimos anos.

A estabilidade econômica, bem como a criação de programas que incentivam a formalização (como o próprio MEI, por exemplo) impulsionou a vontade das pessoas de se arriscarem.

O resultado? Mais gente abrindo empresas, aplicando recursos em diferentes segmentos econômicos e fortalecendo os diferentes cenários existentes.

É claro que ainda há muito para se conquistar, mas você já pôde perceber que abrir um negócio próprio não é algo tão complexo e arriscado.

Basta conhecer um pouco de gestão de negócios, aplicar os conceitos e seguir em frente.

Conceitos importantes para a gestão do negócio

Depois de compreender a importância do empreendedorismo, chega a hora de conhecer os principais conceitos necessários à boa gestão do negócio.

Alguns deles já são bastante conhecidos, mas outros ainda estão em fase de implantação, ou seja, estão alinhados à nova realidade econômica mundial.

Quer conhecê-los? Então, veja os elementos a seguir:

Economia colaborativa

A sustentabilidade é um conceito aplicado em diferentes esferas no mundo atual e não poderia ser deixado de lado no cenário econômico.

Por isso, foi criada essa concepção, que se propõe a gastar menos para fazer as mesmas coisas.

Mas o que é efetivamente essa ideia? É uma maneira de repensar os modelos aplicados atualmente nos negócios, criando formas inovadoras e criativas de uso dos recursos.

Ela está diretamente ligada ao crowdsourcing, ou seja, ao compartilhamento de recursos físicos e humanos.

Assim, podemos dizer que esse conceito prevê o compartilhamento do comércio, o consumo de bens e serviços e a criação, distribuição e produção de mercadorias com outras pessoas ou empresas, evitando que seja necessário comprar novos produtos para a satisfação de uma demanda específica.

Assim, essa ideia é fundamentada em três princípios:

Redistribuição de mercado: 

O produto é redistribuído para outro mercado por não ser mais necessário. Assim, atende-se às ideias de reciclagem, reutilização e diminuição do consumo;

Estilo de vida colaborativo: 

As pessoas que aderem a esse modo de viver compartilham conhecimentos, serviços, recursos e habilidades em seu dia a dia.

Por exemplo: uma pessoa que sabe falar alemão pode ensinar outro indivíduo, recebendo, em troca, aulas de violão;

Compartilhamento de serviços: 

As pessoas destacam suas necessidades e não a compra de algum produto ou serviço.

Assim, ela pode obter o que precisa sem precisar necessariamente gastar dinheiro e utilizar mais recursos (econômicos, da natureza etc.).

Entendendo o que é e quais são as prerrogativas desse conceito, veja algumas dicas que ajudam a aplicar a ideia no seu dia a dia:

  • Identificação da capacidade excedente: 

Toda empresa possui uma capacidade de produção ou, no mínimo, de estoque (caso de estabelecimentos comerciais que não fabricam mercadorias, mas as vendem) e de consumo.

Identificar a capacidade excedente significa compreender quando o limite foi ultrapassado e, portanto, pode ser reduzido sem prejuízos ao negócio.

Além de ser uma prática sustentável, essa é uma forma de buscar novas formas de utilização dos recursos.

Por exemplo: a sua empresa pode começar a usar painéis solares, aproveitando a energia do sol e reduzindo os gastos com eletricidade;

  • Aplicação do conceito de cidades inteligentes: 

Como o próprio nome afirma, essa ideia está direcionada a cidades, mas será que ela não poderia ser aplicada a uma empresa? Na verdade, sim.

As cidades inteligentes são municípios sustentáveis, que fazem boa ocupação do território, por meio do uso consciente dos recursos naturais e dos espaços disponíveis.

Você pode adotar essa ideia na sua organização, por exemplo, gerindo melhor o estoque para reduzir o espaço gasto com armazenamento;

  • Criação de plataformas de conexão: 

O mundo hoje é digital e as pessoas se comunicam por meio de plataformas. Então, por que não aplicar isso no dia a dia da sua empresa?

Criar plataformas que conectem pessoas com objetivos e interesses comuns ajuda a criar um clima organizacional melhor, além de poder aumentar a produtividade como consequência;

  • Criação de ferramentas para pessoas: 

Encontrar pessoas é uma tarefa difícil, especialmente porque o mundo atual está bem focado na tecnologia.

Por isso, criar ferramentas que ajudam a encontrar pessoas e compartilhar conteúdos é uma ideia interessante e que viabiliza o repasse de informações.

Um exemplo é o Waze, que permite que pessoas compartilhem informações sobre o trânsito;

  • Uso do menor produto viável: 

A ideia aqui é que a empresa utilize o mínimo possível em seu funcionamento.

Assim, se já tem um veículo, não é preciso adquirir outro (a não ser que realmente não haja outra alternativa).

Fluxo de caixa

Esta é uma ferramenta indispensável porque permite acompanhar todas as movimentações de recursos financeiros, ou seja, a entrada e saída de dinheiro.

Por meio do fluxo de caixa é possível saber não só quanto de dinheiro a empresa tem em caixa, mas também fazer projeções futuras de contas a pagar e a receber.

Dessa maneira, o empreendedor pode verificar quanto precisa de capital de giro, ou seja, o montante que deve ser armazenado para que a empresa continue em funcionamento se houver algum imprevisto.

Assim, o capital de giro serve, por exemplo, para solucionar uma quebra de caixa ocorrida porque um cliente não pagou a empresa, mas ela tem uma conta a pagar na mesma data.

É importante ressaltar que o fluxo de caixa precisa ser flexível e, além de ser atualizado diariamente, também deve conter os valores esperados de entrada e saída de caixa.

A partir disso, podem ser calculados diversos indicadores, como o ponto de equilíbrio (momento em que as receitas igualam-se às despesas), rentabilidade, lucratividade, prazo de retorno etc.

Taxa Selic

Selic é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia.

Essa é uma ferramenta utilizada pela política monetária para controlar a taxa de juros praticada no país. Por isso, afirma-se que a taxa Selic é o índice de referência para a taxa de juros.

Para entender um pouco de como funciona o mercado financeiro e a taxa Selic, basta entender que as instituições financeiras em geral precisam ter um valor mínimo em caixa, mas essa conta nem sempre fecha devido às movimentações dos clientes (depósitos, empréstimos, transferências etc.).

Quando isso acontece, os bancos precisam recorrer a empréstimos do Banco Central, que, por sua vez, cobrará uma taxa de juros para oferecer esse crédito.

Essa taxa de juros é a Selic, que serve, portanto, como base para as taxas de juros praticadas a todos os brasileiros.

Para a sua empresa, o importante é compreender que a taxa Selic é o que vai reger os empréstimos e financiamento que você precisar contratar.

Ou seja, quanto mais alta a taxa de juros, maior será o montante pago por esses recursos contratados.

Portanto, fica a dica de que o melhor é manter um capital de giro mínimo, evitando contrair empréstimos e financiamentos.

CDI

O Certificado de Depósito Interbancário é uma taxa utilizada pelos bancos a fim de servir como parâmetro para os investimentos dos correntistas.

Essa taxa é utilizada como lastro para as operações de curtíssimo prazo (ou seja, menos de um ano) no mercado financeiro.

Por meio desse instrumento, as instituições financeiras conseguem manter o caixa em equilíbrio emitindo o CDI. Por isso, ela fica bem próxima à taxa básica de juros, a Selic.

Além disso, o CDI serve como base para a aplicação de outras taxas pelos bancos e é uma referência para a rentabilidade das aplicações financeiras, especialmente os investimentos de renda fixa.

CDB

O Certificado de Depósito Bancário é uma forma de os bancos conseguirem dinheiro para suas atividades de crédito.

De maneira simples, é um título emitido que pode ser adquirido por investidores e renderá juros para eles.

A taxa do CDB geralmente é atrelada ao CDI. Para as empresas, o CDB não tem grande interferência, mas se o empreendedor tiver recursos sobrando, é uma forma mais garantida de aumentar o patrimônio, seja o pessoal, seja o empresarial.

Inflação

Esse é um termo bastante comum, mas nem sempre o empreendedor sabe o que significa ou como afeta a sua empresa.

De forma bastante resumida, a inflação é o aumento dos preços para os consumidores, que podem ser pessoas físicas ou jurídicas.

Assim, o aumento da inflação causa a elevação dos preços dos produtos e matérias-primas necessários para a empresa.

Com o aumento de gastos, a margem de lucro da organização diminui ou, para evitar essa situação, o aumento de preço precisa ser repassado ao consumidor.

Se a segunda opção for a escolhida, a empresa pode vender menos, porque o consumidor retrairá o consumo. Percebe como tudo está interligado?

Em momentos de inflação alta, portanto, é comum haver retração dos investimentos, já que as empresas não sabem quanto tempo vai durar esse cenário econômico ruim.

Lucro e caixa

Aparentemente, esses são dois conceitos bastante simples e que todo mundo compreende. Mas será que é assim mesmo? Na verdade, pode haver confusão.

Então, o lucro é o que sobrou de recursos financeiros depois do pagamento de todas as despesas.

Esse montante pode ser distribuídos aos acionistas, quando for o caso, ou ser reinvestido no negócio. Já o caixa é um monte que faz parte do patrimônio da organização, o que significa que não é sinônimo de lucro.

Para entender melhor, quando há sobra de caixa, uma parte do montante fica efetivamente para o caixa, enquanto a outra é utilizada como lucro.

Podemos definir, então, que o caixa limita os lucros da empresa, já que as contas a pagar não podem ser comprometidas pelo lucro.

Rentabilidade e lucratividade

Outros conceitos fundamentais para as empresas são o de rentabilidade e lucratividade.

Nesse contexto, é preciso compreender que o lucro é o valor das receitas menos impostos, abatimentos, devoluções, custos e despesas.

A partir desse conceito, podemos entender que lucratividade é o percentual que foi ganho a partir das vendas efetuadas.

Esse cálculo é feito por meio da divisão do lucro líquido pela receita bruta. Para chegar a um percentual, multiplica-se o resultado por 100.

Já a rentabilidade é o percentual de retorno de um investimento feito pela empresa.

O cálculo é feito pelo lucro líquido dividido pelo investimento total. O resultado também deve ser multiplicado por 100 para chegar ao percentual.

Como sobreviver à crise

Em meio à crise, o empreendedor tem que saber controlar as finanças da empresa para ter saúde financeira. No entanto, existem algumas dicas que podem ajudar muito nesse processo.

Avalie os comportamentos do mercado

Uma das recomendações é analisar o comportamento dos consumidores e da concorrência, verificando as demandas, os pontos fortes e fracos e em quais aspectos a sua empresa se diferencia.

Defina metas com prazos curtos

Em um cenário de crise, fica difícil estabelecer prazos maiores. Por isso, o ideal é definir metas para o prazo máximo de 90 dias, tempo suficiente para conquistar a meta e analisar o novo cenário.

Conecte-se emocionalmente com os clientes

O atendimento é um elemento bastante relevante e que pode aumentar as vendas. Por isso, conectar-se emocionalmente com os clientes ajuda a superar o momento de crise.

Agora, você já conhece os principais conceitos de economia e sabe como sobreviver à crise.

Se você quer aprender sobre como investir na bolsa de valores, leia esse artigo.