Dicas para preparar a sucessão

Este texto faz parte da coluna da Plataforma Brasil feito especialmente para os leitores do Saia do Lugar.

Caro leitor, eu não sei a qual geração você pertence, mas considerando a extensa visibilidade do Saia do Lugar, imagino que possa ser um baby boomer, ou um integrante da geração X, ou Y, e potencialmente da geração Z. Mas independentemente de qual delas você pertence, independentemente dos clichês e rótulos atribuídos aos integrantes da sua geração, (acredite, sou da geração X, e ela um dia também foi glamurizada, como inovadores, revolucionários blá, blá, blá), depois da sua virão outras, algo como Z +; Sigma ou quem sabe Beta Sigma.

Rótulos a parte, uma verdade é inexorável e precisa ser dita, ou lembrada. Sim, lamento informar: Você, eu, e nossos descendentes, um dia, deixaremos de existir.

Sendo isso uma verdade, pelo menos enquanto a geração Beta Sigma não inventa a solução para acabar com esse negócio chato de morte, o fato é que a única forma possível de transcendermos ao nosso fim é por meio de nossas obras, do nosso legado.

![passagem de bastão](http://files.saiadolugar.com.br/uploads/2011/01/passagem-de-bastão.jpg "passagem de bastão")Uma hora é preciso largar o osso
Toda essa enrolação preliminar, não serve apenas para abrir o texto com uma pitada de ironia sobre a mania de rotular gerações esgotando o alfabeto, mas, sobretudo, para abordar a importância de preparar a sucessão daquilo que construímos.

As estatísticas mostram que independentemente do impacto das culturas de cada geração, apenas 30% das empresas familiares sobrevivem para a 2ª geração, e deste conjunto apenas 5% sobrevivem para a 3ª. Sem dúvida, um panorama nada animador.

Ou seja, é mínima a probabilidade de que no horizonte de 50 anos, a empresa para a qual você tanto lutou para erguer hoje, ainda esteja de pé.

Porém, mesmo que isso represente uma grande probabilidade, a sua concretização sempre estará sujeita aos efeitos daquilo que hoje fazemos, como por exemplo, preparar a sucessão, seja ela exercida por herdeiros ou não, mas que garanta a longevidade daquilo que você um dia corajosamente criou.

Pensando nisso, publicamos abaixo uma pequena lista de cuidados que julgamos necessários. Eles são simples e até básicos. Não demandam grandes investimentos mas necessitam de disciplina, desde o primeiro momento se possível. No entanto, caso conclua que isso já não aconteceu, saiba que nunca é tarde para começar.

São eles:

  1. Nunca, jamais, e em nenhuma hipótese, torne-se ao longo do tempo um empreendedor sem paciência para tratar das questões administrativas ou regulamentares. De fato pode ser muito chato, mas são com cuidados nessa área que você cria uma empresa realmente organizada, e isso facilita muito o processo sucessório.

  2. Desenvolva e mantenha mecanismos de controle (desde os primeiros tempos) com indicadores que permitam monitorar a administração;

  3. Ao longo do tempo, crie uma cultura de profissionalização do primeiro nível de gestão, envolvendo sócios e herdeiros;

  4. Estabeleça e formalize com os seus sócios o dispositivo sucessório, onde deve ser privilegiado o conceito de capacitação dos herdeiros. Se isso for feito logo no início, melhor.

  5. No caso de inexistência de herdeiros interessados, implemente uma engrenagem de monitoramento e controle ainda mais rigorosa (sem emperrar os gestores profissionais), que permita intervenções dos participantes do capital social, apenas quando se apresentam rigorosamente necessárias, mas que ocorra de forma estruturada, seguindo regras claras, porém sem prejuízo de uma boa administração profissional. Afinal de contas, os herdeiros, inseridos ou não na empresa, respondem legalmente por todas as eventuais bobagens cometidas.

Boa sorte.

Nota do editor: Além de pensar na sucessão da empresa em si, essas dicas servem para pensar na sucessão de responsabilidades. No início, você cuidará desde a estratégia até a limpeza do escritório, mas com o tempo é fundamental aprender a delegar. Te recomendo conferir a dica: Como delegar tarefas.

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