Crowdfunding, homem olhando para moedas

Crowdfunding: entendendo as melhores plataformas para financiar seus projetos

O crowdfunding, também chamado financiamento coletivo, consiste em conseguir recursos financeiros para financiamento de um projeto a partir de doações de outras pessoas.

O crowdfunding, também chamado financiamento coletivo, consiste em conseguir recursos financeiros para financiamento de um projeto a partir de doações de outras pessoas.

No geral, os colaboradores têm acesso a pequenos prêmios de agradecimento dos empreendedores — como cartões, brindes ou acesso a protótipos dos produtos — quando as metas de arrecadação são alcançadas.

A arrecadação normalmente é feita por meio de plataformas online, sendo a mais famosa delas a norte-americana Kickstarter.

Fundada em 2009, a companhia afirma no próprio site que seus projetos foram financiados por mais de 10 milhões de pessoas ao redor de todo o mundo, arrecadando um total 2,4 bilhões de dólares na realização de mais de 100.000 projetos.

Por esses e outros resultados, não é difícil entender porque diversos empreendedores utilizam esse recurso para conseguir tirar suas ideias do papel em vez de recorrerem a empréstimos bancários ou busca por investidores.

Entretanto, plataformas como o Kickstarter não aceitam campanhas de quem reside no Brasil e algumas outras como a Indiegogo cobram taxas extras e outros impostos para brasileiros.

Quer ver como usar o crowdfunding para dar uma forcinha ao seu projeto?

Conheça as plataformas brasileiras e veja qual se adéqua melhor à sua ideia:

Plataformas nacionais de Crowdfunding

Fizemos uma copilação das melhores plataformas nacionais de crowdfunding para te ajudar.

Vamos lá!

Catarse.me

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Com 2 mil projetos financiados por 241 mil apoiadores e 35 milhões de reais arrecadados desde 2011, o Catarse é uma das plataformas mais populares no Brasil.

Maior parte das iniciativas apoiadas na plataforma foram de viés cultural, como quadrinhos, música, literatura, cinema, teatro.

Entretanto, não são os únicos projetos apoiados, havendo diversas outras categorias.

O site disponibiliza uma planilha que calcula o orçamento do projeto, já considerando os 13% que são direcionados à plataforma a partir da arrecadação e custos do que você pode oferecer em troca aos apoiadores.

Até o final de 2015, a empresa adotava a postura de “tudo ou nada”, ou seja, se o projeto não atingisse a meta de orçamento, os usuários recebiam de volta todo o dinheiro que investiram.

Entretanto, agora há o Catarse Flex, que permite que o arrecadador fique com aquilo que conseguir.

Vakinha

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Lançado em 2009 com a ideia de trazer as populares “vaquinhas” (coleta de dinheiro) para o mundo online, o Vakinha foi a primeira plataforma de crowdfunding do Brasil, com mais de 20 milhões arrecadados e mais de 400 mil “vaquinhas” abertas.

A arrecadação também é feita em modelo flexível, em que o arrecadador fica com tudo aquilo que conseguir de doações, excetuando-se as taxas do serviço — de 6,4% sobre as arrecadações e mais R$0,50 por transação.

Se passados 90 dias sem movimentação financeira, são cobrados 5 reais de taxa de manutenção.

Kickante

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O Kickante tem como diferencial aceitar contribuições parceladas pelo cartão de crédito.

O doador pode dividir em até 6x o seu investimento, o que pode aumentar as chances de campanhas conseguirem mais dinheiro.

Talvez seja essa a explicação para a plataforma ter batido o recorde de arrecadação de campanha individual da América do Sul, com 1 milhão coletados para a campanha Santuário Animal.

O segundo lugar do recorde também foi para a Kickante em uma campanha de arrecadação para a empreendedora Bel Pesce.

Já a opção entre “tudo ou nada” ou flexibilidade fica a cargo do usuário.

Há algumas evidências de que modelos de arrecadação “tudo ou nada” são mais eficientes, segundo pesquisadores da universidade York, em Toronto.

A taxa cobrada é de 17,5% sobre arrecadação caso a meta de campanha flexível não seja cumprida.

Entretanto, ela é reduzida para 12% caso cumpra o objetivo.

No caso de campanhas “tudo ou nada” em que a meta não é alcançada, todo o dinheiro é devolvido aos contribuidores sem taxas para o arrecadador.

Benfeitoria

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Fundada em 2011, a Benfeitoria segue o modelo de “tudo ou nada” somente, e as metas podem ter prazos entre 1 e 90 dias.

Com 11 milhões de reais arrecadados, 700 projetos já foram realizados com o apoio de 70 mil benfeitores — uma taxa de 82% de sucesso segundo o site.

Um dos maiores diferenciais da Benfeitoria é que ela não cobra comissão pelo serviço, afirmando que foi a primeira do mundo a não fazer isso.

Isso funciona porque a própria plataforma vive de crowdfunding.

Ou seja, se sustenta pela doação das pessoas que apoiam a ideia do projeto ou de próprios usuários que escolhem a taxa de comissão.

Outros aspectos interessantes da plataforma incluem o matchfunding, e o financiamento recorrente.

Esse último permite colaborações mensais, já o matchfunding funciona de forma simples: para cada um real que um projeto receber, um patrocinador do projeto doa outro.

É o que tem sido feito, por exemplo, no projeto Natura Cidades, patrocinado pela Natura em parceria com a empresa.

Juntos.com.vc

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Mais uma plataforma que não cobra comissão, só as taxas de transações financeiras.

Porém o Juntos.com.vc tem foco em projetos sociais, como aqueles viabilizados por ONGs — inclusive, o site dá consultoria personalizada em crowdfunding para essas organizações.

Alguns projetos dão recompensas de acordo com as doações realizadas, e a plataforma passa projetos por uma curadoria antes de publicá-los, utilizando um sistema de “tudo ou nada”.

O prazo máximo para atingir a meta é de 60 dias.

Em 2015, o site publicou que teve uma taxa de sucesso de 80% no ano.

Bicharia

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Fundado em 2012, é um crowdfunding específico para o apoio a animais.

Os projetos têm prazo de 45 dias para cumprir as metas e os arrecadadores se qualificam para receber o dinheiro se pelo menos 50% da meta for alcançada.

Os projetos do Bicharia também passam por uma curadoria de avaliadores da plataforma, que examinam viabilidade, criatividade e capacitação dos envolvidos na execução do projeto.

Há uma taxa de 10% de utilização do serviço e a taxa de transação que pode variar de 4 a 7% dependendo da forma de pagamento.

Queremos!

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Fundada em 2010, o Queremos! é uma plataforma de crowdfunding para financiar e trazer shows de artistas para a cidade de escolha do apoiador.

Por meio da plataforma, já foram viabilizados shows até de grandes bandas como Black Sabbath, no Rio de Janeiro.

O site recompensa os fãs da seguinte forma: a cada 10 ingressos comprados para shows diferentes por usuário, o doador ganha outro ingresso gratuitamente para um show viabilizado pelo site.

Outro benefício é que os ingressos normalmente são mais baratos do que aqueles comprados após a confirmação do artista tocar na cidade.

Se os shows não forem possíveis, os doadores recebem seu dinheiro de volta sem taxas ou impostos.

Já para os artistas e produtoras de evento, a plataforma oferece benefícios como contato e comunicação direta com fãs, além de saber onde as demandas por shows são mais frequentes e identificar tendências do mercado musical.

O Queremos! cobra 15% de taxa sobre os ingressos vendidos na plataforma.

Startando

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No Startando, as duas modalidades de arrecadação são possíveis, “tudo ou nada” ou flexível.

Entretanto, a plataforma recomenda a primeira.

Os projetos também passam por curadoria da equipe, que exige cronograma e um orçamento esperado antes da aprovação, e a empresa não permite projetos de caridade sem objetivos específicos ou arrecadações para causas pessoais (como bolsas de estudo e procedimentos médicos).

Também é obrigatória a criação de recompensas de acordo com os níveis de doação.

A taxa de 12.5% é aplicada sobre o total arrecadado em campanhas que atingem a meta, enquanto em campanhas flexíveis que não batem a meta total a taxa é de 15%.

No caso de campanhas “tudo ou nada” que não atingem a meta, todo dinheiro é devolvido aos colaboradores sem taxas.

Eco do Bem

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Um aspecto interessante dessa plataforma é que as recompensas aos doadores são oferecidas pela rede de parceiros do site.

Quem cria o projeto escolhe, compra e distribui dentre uma das opções disponíveis.

As recompensas sempre geram algum tipo de impacto social e ambiental positivos (como produtos reciclados, sementes de plantas nativas da Amazônia, doação de uma camisa para crianças carentes, etc.).

Entretanto, essa escolha não é obrigatória e o criador do projeto pode criar as próprias recompensas.

É possível utilizar tanto o modelo “tudo ou nada” quanto o flexível.

São cobrados 13% do valor arrecadado e o prazo máximo é de 60 dias para arrecadação, independentemente do modelo.

No caso de campanhas flexíveis, as recompensas devem especificamente ser de um dos parceiros.

Parte da taxa de utilização do serviço também é doada para instituições de caridade.

A plataforma oferece consultoria gratuita antes de selecionar projetos.

Apoia.se

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A Apoia.se também tem a função de financiamento recorrente mensal a partir de 1 real e incentiva o contato entre apoiadores e criadores dos projetos.

A taxa é de 13%, fixa, sobre valor arrecadado.

Metas financeiras e recompensas aos apoiadores não são obrigatórias, mas recomendadas.

O criador do projeto tem algo parecido com uma linha do tempo social como a do Facebook, em que cria posts que podem ser abertos ao público ou fechado a apoiadores para ter contato com quem financia o seu trabalho.

A ideia do site é que seja apoiado o processo criativo e que, por meio da plataforma, fãs acompanhem as dificuldades e participem ativamente da criação dos trabalhos em vez de terem acesso a somente uma versão pronta do projeto.

Arrekade

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Diferente da maioria das plataformas o Arrekade permite o financiamento para metas pessoais, incluindo casamentos, viagens, etc.

É possível criar listas de presentes de casamento, aniversário e até vaquinhas para o churrasco de final de semana.

As taxas são de 4,99% + R$0,40 por transação dos contribuintes sendo o modelo de arrecadação flexível.

Bookstart

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Incentiva a criação de livros e facilita a conexão entre editoras, autores e fãs.

A equipe do Bookstart analisa a qualidade do projeto e inclusive pede por um manuscrito, caso o escritor já o possua.

Caso aprovado, o projeto tem até 60 dias para ser executado seguindo o modelo de “tudo ou nada”.

A vantagem do serviço para editoras é que elas podem abrir um canal exclusivo e diminuir riscos investindo em projetos que já têm um respaldo e apoio financeiro.

O site possui parceria com canais de distribuição de e-books no Brasil e no exterior e um sistema de impressão sob demanda.

A plataforma cobra uma taxa comercial sobre obras de autores independentes, mas não de editoras.

Há ainda a taxa de comissão de 15% do valor arrecadado pelo serviço, caso a campanha seja bem-sucedida.

No caso do uso de serviços adicionais, como os editoriais, as taxas variam a partir de 35% dependendo de a meta ter sido atingida com exatidão ou além do que era necessário.

Não há custos caso a campanha não seja bem-sucedida.

Social Beers

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Crowdfunding voltado para criação de cervejas.

Necessariamente devem haver recompensas pelas cotas de apoio ao produtor.

Ao longo do tempo, novos benefícios são oferecidos aos usuários à medida que novos projetos são apoiados, como descontos nas próximas cervejas e evolução do perfil.

O modelo de apoio do Social Beers é “tudo ou nada” e, caso o projeto não atinja a meta, o dinheiro é devolvido aos apoiadores sem custos adicionais.

As taxas variam de acordo com o apoio que o site deve dar ao mestre cervejeiro, incluindo ajudas na receita, na produção, contato com cervejarias, etc.

Embolacha

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Fundado em 2011, o Embolacha é voltado exclusivamente para o financiamento de projetos artísticos e culturais envolvidos, de alguma forma, com a música.

O site também funciona como loja em que artistas podem vender seus produtos.

Seguindo o modelo de “tudo ou nada”, caso a meta seja alcançada (em até no máximo 60 dias) ou superada, são cobrados 15% do valor arrecadado pelo serviço.

Caso contrário, os apoiadores recebem o dinheiro de volta.

Os artistas devem criar recompensas para os doadores.

Para saber mais

Existem mais plataformas internacionais de crowdfunding e outras fontes para saber mais sobre o tema. Uma boa recomendação é o documentário Capital C, lançado em 2014, o primeiro sobre o tema.

Também vale a pena assistir à palestra de Amanda Palmer, artista que relata em um TEDx sobre como sua banda tem viajado e lucrado a partir de iniciativas de financiamento coletivo.

Uma das formas mais interessante de uso dessas plataformas é a possibilidade de pesquisar o mercado, identificar tendências e validar ideias de produtos ou serviços online e descobrir quanto realmente vale aquele seu projeto anotado no papel.

Aproveite e dê uma conferida nas nossas 5 dicas incríveis para você validar a sua ideia, elas podem te ajudar bastante!

  • Marina Bitar

    Tenho uma dúvida sobre o que é ou não crowdfunding, às vezes acho a linha tão tênue… Há iniciativas jornalísticas, por exemplo, que fazem financiamento no seu próprio site, sem utilizar plataformas para isso. Isso configura financiamento coletivo de fato? Essa campanha, por exemplo: http://www.outraspalavras.net/outrosquinhentos/ é crowdfunding ou assinatura de leitores? Como definir o que é e o que não é?
    O site http://www.cientistaqueviroumae.com.br/como_apoiar utiliza o próprio endereço eletrônico para receber apoio, mas diferente do Outras Palavras, pede financiamento para a produção de textos, se a meta for atingida o texto é produzido e publicado, o que me parece uma prática de crowdfunding. Pode explicar mais sobre isso?

    • Renato Mesquita

      Olá, Marina! Ótimo questionamento para ser levantado. Pelo o que eu pude analisar, os dois exemplos que você mencionou no seu comentário são iniciativas de crowdfunding mesmo.
      Independente se for através de plataformas (que para um pequeno empreendedor é o mais aconselhável) ou se for por iniciativa da própria pessoa montar um site para arrecadar doações (exige um tempo maior, além de um conhecimento necessário para isso) são considerados crowdfunding do mesmo jeito, pois se enquadram no conceito de financiamento coletivo.
      Espero ter tirado a sua dúvida! Abraços.

    • Marina Bitar

      Muito obrigada pela resposta, Renato!