bunker sitiado

Conheça a síndrome do bunker sitiado!

Meus caros, comecemos por alguns esclarecimentos.

Meus caros, comecemos por alguns esclarecimentos.

O que é a Síndrome do Bunker Sitiado?

Para quem não conhece o sentido da expressão, basta um exercício de extrapolação pessoal.

Tente imaginar num contexto onde após vivenciar o apogeu – ou ao menos pretensamente, e apenas na sua cabeça –, tenha de encarar a queda, a casca de banana da qual não consegue escapar, ou a aniquilação humilhante.

Adicione a este cenário, que o seu entorno seja formado por assessores que amam dizer aquilo que você quer (e exige) escutar. Talvez porque você os intimide, e exista um temor de suas reações.

Ou é possível que não tenham nenhum compromisso com o negócio/ operação, mas preocupam-se única e exclusivamente com a própria remuneração – o que inclui remuneração variável não necessariamente atrelada a solidez da empresa, mas com situações pontuais.

E é também provável que embora muito bem remunerados, simplesmente não tenham capacidade para formular soluções reais e concretas.

Há a possibilidade de que estejam desprovidos de imaginação e opiniões próprias, com origem na capacidade profissional. E neste caso sejam abundantes as receitas de bolo – geralmente extraídas do “lugar comum” corporativo, suas revistas, seus eventos tomados de inteligência.

E neste caso, as reações são previsíveis.

Você passa a receber aconselhamento absolutamente incompatível com a realidade.

Pior do que isso, sem ninguém para dizer a verdade, o empreendedor ou líder (detesto a expressão líder. É um típico eufemismo corporativo barato), passa a navegar em voo cego.

Sem parâmetros ancorados ao mundo real, sem noção sobre os obstáculos que virão, e eventualmente orientado apenas pela maluquice da sua própria mente solitária e “magnânima”.

Deste estágio, para acreditar em caminhos e saídas que jamais se concretizarão, há o intervalo de alguns poucos metros.

Pronto, está criado o “set” perfeito para o ‘Bunker Sitiado”.

Em resumo, uma dinâmica retroalimentada de tiros no pé. Sem nenhuma boa alma para interromper o tranco.

O “Bunker Sitiado” e a história

Historiadores investigativos afirmam que Hitler, sitiado em seu esconderijo secreto (bunker), com os soviéticos pintando e bordando nos arredores de Berlim e esmagando a cidade – reunido com seu estado maior mais fiel, entoava frases de efeito e auto motivadoras.

Convocava a todos com o seu feroz bigodinho, para recuperar o ânimo e retomar a ofensiva para tentar vencer a guerra de uma vez por todas.

Dizem que lampião “o rei do cangaço” cercado pelas tropas federais, e quase aniquilado pela fome e pela sede, comparava-se a Antônio Conselheiro e ordenava diretivas para o contra-ataque “rumo a vitória”, que jamais veio.

A realidade sempre se impõe. O segredo é saber reconhecê-la a tempo.

É dos efeitos desta “síndrome” que alguns grandes empresários e líderes políticos (acompanhados por equipes fiéis) provam ao se depararem com a parede sólida e áspera da realidade.

Não seja uma vítima da síndrome.

Não se engane, a síndrome do Bunker Sitiado estará sempre a espreita. Mas qual é a vacina?

O velho “bom senso” pode ajudar muito.

Contudo, essa resposta pode ser genérica demais.

Convido então para detalharmos algumas atitudes que podem nos manter longe do Bunker.

Desconfie

  • dos aplausos;
  • de resultados fáceis e de processos “blindados de complicações”;
  • de gente que desconsidera os cuidados, ou daqueles que detestam precauções;
  • de qualquer tentativa para impressionar;
  • dos megalomaníacos;
  • de gente que se considera invencível;
  • quando escuta apenas aquilo que gostaria (ou aceita) escutar.

Contrate bem

  • Evite contratar aduladores;
  • Fuja dos performáticos;
  • Não aceite almofadinhas corporativos na sua equipe. Não ofereça espaço pela aparência, ou outras superficialidades;
  • Trabalhe com gente competente e corajosa;
  • Selecione pessoas com personalidade, e que não vão se intimidar pelo seu poder. Eles são sempre a melhor contribuição.

Cuide de suas emoções (elas podem custar caro)

  • Resolva-se. Não desconte suas frustrações pessoais na empresa ou nos seus colaboradores;
  • Não crie um personagem de você mesmo. Se não cuidar disso, quando menos esperar, não estará mais no escritório, mas em um palco repleto de personagens;
  • Gerencie a própria ansiedade. Ela pode ser o seu maior inimigo;
  • Controle a raiva e os ataques de impaciência.

Para encerrar, recomendo que seja sempre permeável ao senso crítico. É justamente ele que vai salvá-lo quando cair no Bunker sem perceber.

Até o próximo.

Por: Gustavo Chierighini, publisher da Plataforma Brasil Editorial.