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O poder da Análise SWOT para os seus negócios!

Ainda que de maneira inconsciente e sem muita técnica, todo mundo já utilizou alguma vez na vida os princípios de uma Análise SWOT, também conhecida por seu nome em português, a Análise FOFA.

Ainda que de maneira inconsciente e sem muita técnica, todo mundo já utilizou alguma vez na vida os princípios de uma Análise SWOT, também conhecida por seu nome em português, a Análise FOFA.

Sabe aquela velha “lista de prós e contras” para tomar uma decisão? Pois é, a Análise SWOT é uma edição melhorada e aplicada a uma realidade empresarial.

Ela tem tudo a ver com a célebre frase de Abraham Lincoln:

“Se você me der seis horas para cortar uma árvore, eu vou passar as primeiras quatro afiando o machado.”

Com essa frase, o presidente Lincoln revela que sabia o que todo grande líder sabe: para sair do lugar, é necessário antes elaborar um bom planejamento estratégico. Sem objetivos bem definidos e muito preparo, dificilmente você vai conseguir.

E é exatamente para isso que serve a Análise SWOT (ou Análise FOFA).
Ela é uma das principais ferramentas de planejamento empresarial para afiar o machado e garantir que seus golpes serão certeiros para cortar muitas árvores!

A seguir, vamos conhecer um pouco mais sobre essa importante ferramenta:

O que é a Análise SWOT (Análise FOFA)

O nome SWOT vem de uma sigla, que significa:

  • Strengths
  • Weaknesses
  • Opportunities
  • Threats

Por isso em português ela foi chamada de Análise FOFA:

  • Forças
  • Oportunidades
  • Fraquezas
  • Ameaças

A análise – também chamada de Matriz SWOT – foi criada na década de 60 no Instituto de Pesquisa da Universidade de Stanford. No entanto, seus princípios remontam a uma sabedoria muito mais antiga!

Se você já leu A Arte da Guerra, de Sun Tzu, sabe o quanto é importante conhecer a si mesmo, seus inimigos e o terreno da batalha.

Pois é isso que a Análise SWOT proporciona.

Ao avaliar as Forças (strengths) e Fraquezas (weaknesses), é possível ter uma boa visão do Ambiente Interno da empresa em relação à concorrência.

É o momento em que a empresa olha para dentro e se pergunta: no que somos bons e no que precisamos melhorar?

Trata-se de um grande exercício de autoconhecimento e conhecimento dos competidores que querem tomar sua posição no mercado.

Já a avaliação das Oportunidades (opportunities) e Ameaças (threats) faz a empresa olhar para fora e ter uma visão do Ambiente Externo, que é, em outras palavras, tudo aquilo que foge do controle da empresa.

Olhar para fora permite à empresa conhecer o terreno das batalhas e saber onde estão as oportunidades que podem deixá-la mais próxima da vitória e quais são as ameaças que poderão impedir.

Para ajudar você a encontrar esses quatro pontos, aprofundamos cada um deles a seguir:

Strengths (Forças)

As forças da sua empresa são todas as qualidades que ela possui e que são verdadeiros diferenciais em relação à concorrência.

Para encontrar essas forças, você deve olhar para:

  1. Seu produto ou serviço – Possui funcionalidades que a concorrência não possui? Certificações? Atende a exigências específicas (de licitações, por exemplo)?
  2. Sua marca – É reconhecida pelos consumidores? Está associada a valores positivos? Possui entre os consumidores uma percepção de qualidade?
  3. Seus processos – Existe algo que sua empresa faz, internamente, que a coloca em vantagem em relação à concorrência? Os custos operacionais são mais enxutos?
  4. Sua equipe e demais pessoas envolvidas na cadeia de produção e entrega – São profissionais de impacto no mercado de trabalho? Ajudam a atrair clientes e negócios?
  5. Sua localização geográfica – Ela permite alguma vantagem competitiva?

Seguindo a linha do livro “A Arte da Guerra”, Sun Tzu diria que as Forças são todas as armas que a sua empresa possui e os concorrentes (alguns ou todos) não.

Na prática, alguns exemplos de Forças são:

  1. Os carros que nós fabricamos possuem o menor índice de poluentes do Brasil.
  2. Fabricamos os únicos móveis infantis com Selo Verde na Região Sul.
  3. Logística permite entregar em até 2 dias úteis para clientes.
  4. Time formado apenas por profissionais certificados pela Microsoft.

Lembre-se: só é uma força se você se destacar por ela, seja em relação a todos os concorrentes, seja em relação aos principais, aos que mais importam para o seu planejamento.

Por exemplo, no caso do item 3 acima, se todos os concorrentes também entregam em 2 dias úteis, essa característica não é uma Força.

Por outro lado, se todos entregam em 1 dia útil, é quase certo que essa será uma Fraqueza.

Weaknesses (Fraquezas)

Como fica evidente, as fraquezas são os pontos internos que precisam melhorar em relação à concorrência.

Mas nem sempre o fato de você não possuir uma força (um diferencial positivo) implica que você possua uma fraqueza.

Isso porque muitos itens podem ser neutros: nem forças, nem fraquezas. Na prática, significa que você encontrou um quesito no qual todos os concorrentes estão nivelados e nenhum se destaca.

Ao elaborar a lista de forças, é bem comum que ocorra em paralelo o processo de encontrar as fraquezas, pois as perguntas são bem similares.

Por exemplo:

Nossa localização geográfica nos confere alguma vantagem competitiva?

Caso a resposta seja negativa, a próxima pergunta deve ser:

Ela nos deixa em desvantagem?

Se a resposta também for negativa, então este é um item neutro, que não precisa constar na sua Análise SWOT.

Mas se a localização deixa a empresa em desvantagem – porque é mais longe de um porto para escoamento ou de um pólo industrial, por exemplo – você deve considerar como uma fraqueza.

Assim como as forças, as fraquezas também serão encontradas no produto ou serviço, na marca, nos processos etc.

Opportunities (Oportunidades)

As oportunidades têm uma grande diferença em relação às forças: elas escapam do seu ambiente interno.

Isso é muito importante de lembrar, pois muitas empresas, ao elaborarem suas Análises SWOT, cometem o erro de confundir o Ambiente Interno com o Ambiente Externo.

Então, fique ligado: tanto as oportunidades quanto as ameaças são fatores que fogem do controle da sua empresa. Por isso mesmo, muitas vezes elas são buscadas nos Fatores Macroambientais!

Existem infinitas oportunidades por aí e você pode começar procurando nos seguintes ambientes:

  1. Demográfico. Existe alguma tendência em relação a tamanho, localização, idade etc. da população que possa favorecer a sua empresa?
  2. Econômico. Os indicadores econômicos sinalizam melhora no contexto onde sua empresa está (local, nacional, global)?
  3. Tecnológico. Quais são as inovações tecnológicas que estão surgindo (ou podem surgir no curto prazo) que impactam positivamente a empresa, resolvendo problemas ou possibilitando a criação de novos produtos?
  4. Natural ou Ecológico. Alguma fonte de recurso natural utilizado pela empresa foi descoberta recentemente? Não confundir com legislações ambientais, que são do tópico a seguir.
  5. Político-legal. Existe alguma lei prestes a ser aprovada que impacta positivamente a empresa? Alguma legislação que possibilite explorar um novo mercado?
  6. Cultural. Que mudanças em valores e no estilo de vida dos seus consumidores podem gerar novas oportunidades de negócio para sua empresa?

Ainda que nem sempre seja possível, o ideal é quantificar essas oportunidades, para deixá-las mais claras.

Como exemplo, agências de turismo poderiam identificar as seguintes oportunidades:

  1. A população acima de 65 anos da cidade onde está a minha chega a 20%, com tendência de aumento para a próxima década.
  2. Como tendência cultural, 50% dos jovens preferem investir em viagens e experiências a imóveis próprios e automóveis.
  3. A Câmara dos Deputados deve aprovar nos próximos 2 meses um acordo de cooperação para o turismo entre o Brasil e a Dinamarca.

Repare que as oportunidades, em si, ainda não se cruzam com as forças e fraquezas da minha empresa.

Por exemplo, os jovens podem estar preferindo investir em viagens, mas será que a minha marca tem boa aceitação entre esse público? Vamos falar desses cruzamentos mais adiante!

Threats (Ameaças)

Repare nos três exemplos anteriores de oportunidades para uma agência de turismo.

Se a sua empresa for uma montadora de veículos, certamente o segundo exemplo será uma ameaça:

Como tendência cultural, 50% dos jovens preferem investir em viagens e experiências a imóveis próprios e automóveis.

Isso significa que os Fatores Macroambientais não são oportunidades ou ameaças em si, mas sim relativos à sua empresa e ao seu mercado.

Assim como pensamos nas fraquezas, as ameaças também serão “oportunidades com o sinal invertido”.

Voltando ao livro de Sun Tzu, esses fatores são como acidentes geográficos do terreno onde você compete contra seus concorrentes.

Um terreno cheio de árvores pode favorecer o combate de arco-e-flecha, mas dificultaria bastante um combate entre tanques de guerra.

Por isso, é muito comum identificar oportunidades e ameaças de maneira conjunta, colocando cada fator na coluna correspondente, conforme seja positivo ou negativo.

Mas lembre-se: as oportunidades e ameaças são as mesmas para você e todos os seus concorrentes, independente das forças e fraquezas de cada empresa.

Identificar oportunidades e ameaças ainda não é trazer a correlação delas com as suas forças e fraquezas. Isso ocorre no próximo passo, que descrevemos a seguir.

Elaborando a Matriz SWOT (Matriz FOFA)

Agora que ficaram claros os conceitos, é hora de elaborar nossa Matriz SWOT (ou Matriz FOFA, em português) em três passos:

Levantamento dos fatores

Para encontrar cada Força, Fraqueza, Oportunidade e Ameaça, comece reunindo o time responsável e faça um brainstorm.

Faça isso de forma estruturada, olhando primeiro para o ambiente interno, depois para o ambiente externo.

Se surgir alguma ideia de oportunidade enquanto estão encontrando forças e fraquezas, anote e trate dela mais adiante.

Uma boa forma de saber se um fator interno é uma força ou fraqueza é atribuindo pontuações e comparando métricas.

Lembra do exemplo da “entrega em 2 dias úteis”? Durante o brainstorm, você pode propor “tempo de entrega” e fazer um comparativo: qual o nosso tempo e qual o tempo de cada concorrente?

Já em relação a fatores externos, vale o bom senso: “se isso acontecer, será bom para o mercado como um todo?” Se é algo que vai abrir novas possibilidades de negócio, por exemplo, deve ser tratado como uma oportunidade, mesmo que ninguém tenha ainda a capacidade imediata de aproveitá-la.

A princípio, não vale a pena se preocupar se a equipe está levantando muitos fatores para a Matriz SWOT. Nesta fase, quanto mais, melhor.

Elaboração da Matriz SWOT

Com as 4 listas elaboradas, é hora de criar sua Matriz. Ela terá as dimensões de 2×2, formando quatro quadrantes.

Por convenção, geralmente a Matriz se divide da seguinte forma:

Nos quadrantes da linha de cima, coloque os fatores internos, e na de baixo, os externos.

Na coluna da esquerda, devem estar os fatores positivos (forças e oportunidades), com os fatores negativos (fraquezas e ameaças) na coluna da direita.

Neste momento, existem divergências quanto ao critério do que permanece na Matriz SWOT e o que deve ser retirado.

Alguns defendem que cada fator deve ter pelo menos um cruzamento, ou seja, uma Força deve estar associada a no mínimo uma Oportunidade ou Ameaça, e assim por diante.

A justificativa é que “se você não vai usar essa força para aproveitar uma oportunidade ou se defender de uma ameaça, ela não é relevante”.

Outros alegam que independente de cruzamentos, devem permanecer aqueles fatores que a equipe julgar mais relevantes para constar na Análise.

Nossa dica é aplicar da maneira que fizer mais sentido, afinal, trata-se de uma ferramenta para auxiliar a tomada de decisões, não para atrapalhar.

Cruzamentos de fatores

Ainda que nem todos os fatores se cruzem com outros, é inevitável que sua Matriz SWOT possua alguns cruzamentos.

Forças podem ser úteis para aproveitar Oportunidades ou se defender de Ameaças, assim como Fraquezas podem afastar sua empresa de uma Oportunidade ou deixá-la muito exposta a uma Ameaça.

Você pode encontrar os cruzamentos mais importantes pontuando as Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças, conforme a relevância delas para o seu objetivo.

Isso ajudará a priorizar as ações – o que, por si só, é um dos objetivos de realizar um planejamento estratégico.

Basicamente, existem quatro possibilidades de estratégias:

  1. Ofensiva, quando sua empresa possui muitas Forças e os principais fatores externos identificados são Oportunidades;
  2. de Reforço, quando o cenário possui muitas Ameaças, mas sua empresa tem muitas Forças em relação à concorrência;
  3. de Confronto, quando é necessário diminuir o impacto das Fraquezas para aproveitar um cenário de Oportunidades identificadas; e
  4. Defensiva, quando seu objetivo é minimizar perdas causadas por suas Fraquezas diante de um cenário de Ameaças.

O ideal é manter o foco em uma estratégia, mas caso sua empresa possua recursos para atacar paralelamente diversos cruzamentos, também é possível combinar duas ou mais dessas estratégias em diferentes ações.

E aí, já sabe elaborar sua Análise SWOT? Leia também nosso artigo de Empreendedorismo: planejamento e execução e saiba por onde começar a colocar em prática!