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Você já parou hoje? – A importância do ócio para o sucesso

Este artigo foi escrito por Augusto Paz, coordenador de comunicação do Zenklub, uma plataforma de atendimento psicológico 100% online.

Este artigo foi escrito por Augusto Paz, coordenador de comunicação do Zenklub, uma plataforma de atendimento psicológico 100% online.

ATENÇÃO: este não é mais um texto te dizendo como usar seu tempo

Foi então que Deus, furioso com a transgressão de Adão e Eva, olhou para seu filho e disse: “No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra”.

A partir daí, foi o fim da mamata. Se quisesse viver, Adão teria de bater cartão e o fez até seus longevos 930 anos.

O trabalho é culturalmente associado a algo estafante. Uma atividade que exige esforço e que, para ser verdadeiramente recompensadora, não pode ser muito agradável.

A própria palavra “trabalho” deriva do grego tripalium, um instrumento composto por três estacas, usado com a finalidade de torturar pessoas.

Se o trabalho não é incessante, exaustivo e intenso, então não é recompensador.

Faça um teste. Entre em uma livraria e pare em frente à seção de “Mais Vendidos”.

Os títulos que dão soluções milagrosas para a vida pessoal e profissional abundam. Uma série de manuais de coisas que você deveria fazer para ficar rico ou magro ou famoso ou todas as anteriores.

A internet também não deixa barato. Uma miríade de posts apontando coisas que você deve fazer, decisões que deve tomar, caminhos que deve rumar.

Ou ainda, a história de um rapaz que ganhou seu primeiro milhão de dólares aos 16 anos e outros fenômenos.

O resultado é que nos sentimos os ocupados mais inúteis do mundo.

Empreender é padecer no paraíso

Quando finalmente surge algum tempo livre, ele aparece associado a uma grande carga de culpa.

A ideia de que o trabalho deve ser uma atividade incessante está tão arraigada no imaginário, que pensar em ócio chega a ser ofensivo.

Se tempo é dinheiro, qualquer meia hora assistindo à Netflix equivale a assinar um cheque em branco para a concorrência.

A psicóloga Luciana Taguti, do Zenklub, explica: “o medo de estar perdendo algo a todo momento se chama ‘FOMO’, fear of missing out.

Pessoas ativas valem muito para a sociedade. Parar, implica em perdas para empresas e organizações”.

No século 19, o economista Thorstein Veblen publicou seu trabalho chamado “A Teoria da Classe Ociosa”, um ensaio sobre como a burguesia fez do ócio um artigo de luxo.

Os novos ricos faziam dos extensos momentos de lazer uma demonstração de como eram abonados. Tinham tanto dinheiro que podiam se dar ao desfrute de não trabalhar.

Um comportamento pra lá de esnobe, convenhamos.

Pode ser essa uma das razões pelas quais descansar seja um ato tão mal visto na sociedade moderna.

No entanto, o ócio desempenha um papel importante na vida.

A importância do ócio para libertar o seu criativo

Para Aristóteles, o trabalho era um agente impeditivo do pleno desenvolvimento intelectual e filosófico do homem.

Para ele, o trabalho aprisionava e a única maneira de ser um pensador pleno era sendo um homem livre e, segundo sua concepção, homens livres não trabalhavam.

O descanso é essencial para o desenvolvimento profissional.

Apesar de ser considerado improdutivo, é um momento de autoanálise em que é possível ponderar sobre fatores inúmeros: “O tempo livre ajuda as pessoas a ouvir mais seu subconsciente, adquirir outras visões sobre as coisas e até mesmo analisarem seu trabalho, suas funções e suas vidas pessoais, de forma mais realista e isenta” completa Luciana.

O sociólogo italiano Domenico de Masi pensa mais ou menos como Aristóteles. Para ele, o homem deveria ocupar seu tempo mais em pensar que em trabalhar. Deveríamos deixar a atividade laboral que não envolva criatividade ou pensamento às máquinas.

Parar é importante porque só assim é possível sair do automático. E quem é realmente bem sucedido fazendo tudo no automático?

Quando empilhamos tarefas, deixamos de ver o óbvio e perdemos muito da nossa capacidade de raciocínio.

Não há nada mais massacrante para a criatividade que rotina. Alguém aí se lembra do que aconteceu com o personagem do Jack Nicholson em O Iluminado?

“A importância de parar é olhar para si, prestar atenção no que é prioritário e no que está sendo negligenciado, para que isso mais tarde não vire arrependimento” diz Luciana.

Levar a vida em loop pode parecer glamoroso, mas traz muitos perigos.

Altos níveis de estresse podem causar agitação, ansiedade, insônia, problemas cardíacos, problemas vasculares, entre outros.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, estima-se que um terço da população mundial sofra algum tipo de transtorno de ansiedade.

Quer ser um grande empreendedor? Vá descansar

Trabalho e descanso são complementares. Ganhamos dinheiro para poder bancar, entre outras coisas, momentos de lazer.

Estes, por sua vez, são imprescindíveis para que renovemos as energias para mais um ciclo de afazeres.

De Masi, em seu livro “Ócio Criativo”, ressalta a importância da integração entre atividade e descanso: “É mais fácil trabalhar entre pessoas que descansam e se divertem”.

Para a psicanálise, os momentos de relaxamento são fundamentais, pois é nessas horas que o cérebro começa a devanear.

Essa divagação não é tempo jogado fora. Pelo contrário.

Divagar é caminhar pelo inconsciente e, porventura, encontrar soluções para problemas, ter insights interessantes e preparar os circuitos para ter novas ideias.

Em seu livro Criatividade em Propaganda o publicitário Roberto Menna Barreto fala sobre uma etapa da criação de peças e anúncios chamada de “Incubação”:

“Você descansa, se desliga do problema […] Que acontece então? Arrefecido o consciente, o inconsciente, como mostrou a psicanálise, entra em ação. O inconsciente, desimpedido pelo intelecto, começa a essência da criação”.

Contudo, é preciso ter equilíbrio. Não podemos confundir um momento de descanso necessário com indolência.

Quando deixamos de cumprir deveres inadiáveis para ficar de papo para o ar, estamos incorrendo em um ato de irresponsabilidade.

Como tudo na vida, é preciso moderação. Nem se esfalfar de trabalhar, nem criar raízes em frente ao televisor.

Quem não sabe a hora de sair do escritório ou não tem disposição para levantar da poltrona pode procurar a ajuda de um psicólogo ou terapeuta.

O cérebro é uma máquina fascinante, capaz de façanhas incríveis.

Podemos compor sinfonias, pintar obras de arte, escrever tratados filosóficos, ou mesmo caprichar naquela apresentação para a concorrência de que a agência vai participar na próxima terça, construir uma planilha incrível com todos os registros de entrada e saída do estoque nos últimos seis meses.

Porém, como toda máquina, ela precisa esfriar de vez em quando. Ser uma pessoa ocupada está na moda, mas ser uma pessoa feliz é fundamental.

Gostou deste conteúdo e quer saber como se tornar mais produtivo no seu trabalho? Confira as nossas dicas.